17/08/2018 Undime

Todas as notícias Categorias

Desafios da Educação encerram debates do primeiro dia do 7º FNEx

Os desafios da educação foram os temas centrais da palestra ministrada pelo Educador e Ex-secretário do Ministério da Educação (MEC), André Lázaro, na noite da terça-feira (14), durante o encerramento do primeiro dia do 7º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, em Recife (PE).

Convidado do evento, o especialista traçou como, em uma conjuntura de restrições orçamentárias, com a realidade de uma Emenda Constitucional (nº 95/2016 - PEC do Teto dos Gastos Públicos), que restringe os investimentos na área pelos próximos 20 anos, o país pode garantir o direito à educação e avançar para reverter os descréditos vividos hoje pelas instituições e assegurar o crescimento dos índices de ensino brasileiros. Citando a rede municipal de ensino como uma espécie de front da educação básica brasileira, Lázaro recordou que a rede detém quase 50% das matrículas da educação básica, sendo responsável por 2/3 das escolas brasileiras.

De acordo com o educador, é preciso pensar na educação a partir da perspectiva de seu conteúdo e suas práticas, entendendo o contexto em que escolas e educadores se encontram. Para progredir na garantia da oferta, ele destacou que é essencial o entendimento da desigualdade e a implementação de avaliações, a exemplo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), mas defendeu que estas análises não devem ser utilizadas sem o entendimento do contexto escolar e que estudos nesta linha devem incluir a avaliação das condições da oferta. “Se separarmos estas coisas, corremos o risco de punir quem mais precisa de apoio. Não devemos recusar a avaliação, mas ponderá-la”, afirmou.

Lázaro apontou, ainda, que a adequação destes modelos é, também, uma das vias para alcançar o atingimento de metas relacionadas à educação básica previstas no Plano Nacional de Educação, cujo prazo expira em 2024.

Para crescer na redução das diferenças, Lázaro destacou a importância do modelo da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), política que vem sendo debatida no país desde 2017 e cuja proposta para educação básica se encontra em fase de implementação. Ele destacou que a BNCC deve ser uma referência, capaz de trazer autonomia e capacidade criativas às escolas, criando coesão e equidade ao sistema educacional brasileiro, mas que esta não deve ser, no entanto, usada para repetição de esquemas de monitoramento do trabalho docente ou de modelos que punem professores.

“A Base deve lidar com um Brasil real e não com o Brasil imaginário e não pode incorrer no equívoco que, no meu entendimento, o Ideb se tornou, criando remuneração adicional a quem cumpre metas. Sabemos que este é um poderoso indutor do que podemos chamar de ‘trapaças’. Devemos brigar por um bom salário dos professores e não por penduricalhos”, reiterou.

O Fórum

A abertura do 7°FNEx reuniu cerca de 1.500 dirigentes, técnicos de secretarias e educadores lotaram o pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco, na capital pernambucana. Além da apresentação das delegações das 26 seccionais da Undime, a noite que abriu os trabalhos do maior encontro da educação básica pública do país foi marcada pelo show da orquestra Criança Cidadã – Meninos de Ipojuca, projeto social que atende crianças e jovens de comunidades.

O 7º Fórum Nacional Extraordinário dos Dirigentes Municipais de Educação, realizado pela Undime em Recife, tem como tema central “O Direito à educação e a garantia ao acesso, à permanência e à aprendizagem”.

Fonte: Undime / Fotos: Undime

Todas as notícias Todas as categorias