18/10/2011 Undime
A infraestrutura das escolas é fator decisivo para melhorar a aprendizagem. A conclusão está em estudo divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Foram analisados dados de uma amostra de cerca de 3 mil colégios de ensino fundamental, urbanos e rurais, em 16 países da América Latina.
Em média, 88,3% dos estabelecimentos não tinham laboratório de ciências, enquanto 64,9% não dispunham de laboratório de informática. No Brasil, a situação era ainda pior: 91% e 67,1% respectivamente.
Os dados são de 2006 e dizem respeito às unidades com turmas de ensino fundamental nas séries iniciais. Ao compararem os resultados obtidos pelos alunos em testes de matemática e língua portuguesa ou espanhola, os pesquisadores constataram que a existência de laboratórios de informática, de ciências, de biblioteca e sala de artes e música contribui decisivamente para aumentar a nota dos alunos.
- É a desmistificação de que o estudante pode aprender o mesmo debaixo de uma árvore e numa escola apropriada. O professor é muito importante, mas não é só o que importa - disse ao GLOBO o economista Carlos Gargiulo, um dos autores do estudo.
O levantamento analisou os resultados do Segundo Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Serce), prova aplicada pela Unesco a alunos do 3.º e do 6.º ano do ensino fundamental, em 2006. Na ponta do lápis, segundo Gargiulo - argentino naturalizado norte-americano - a existência dos quatro tipos de espaço de apoio pedagógico fez toda a diferença: alunos de escolas equipadas tiraram, na média, nota minimamente adequada à série, enquanto os demais, não.
Nas escolas urbanas do 3.º ano do ensino fundamental devidamente equipadas, a média em língua portuguesa ou espanhola ficou em 525 pontos, ante 506 naquelas sem laboratórios, biblioteca e sala de artes. Em matemática, a situação repetiu-se: 524 a 497 pontos. Segundo Gargiulo, a escala do Serce vai até 600 pontos.
No Brasil, participaram 5.711 alunos da 3ª série e 5.422 da 6ª série, em 155 escolas de 25 unidades da federação - só Acre e Rondônia ficaram de fora. Os estudantes brasileiros fizeram prova de português e matemática. Em outros nove países, houve teste também de ciências.
O relatório destaca as disparidades entre a infraestrutura de colégios rurais e urbanos, assim com entre estabelecimentos privados e públicos. Nas escolas urbanas privadas dos 16 países, 81,7% tinham sala de computação, ante 12,9% nas escolas rurais públicas.
- A conclusão clara é que os governos devem investir mais nas escolas. A escolas tem influência direta na aprendizagem dos estudantes - disse Gargiulo, lembrando que os países da América Central enfrentam a pior situação, com elevados índices de falta de água potável, esgoto e banheiros.
Autor: Jornal O Globo
A infraestrutura das escolas é fator decisivo para melhorar a aprendizagem. A conclusão está em estudo divulgado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Foram analisados dados de uma amostra de cerca de 3 mil colégios de ensino fundamental, urbanos e rurais, em 16 países da América Latina. Em média, 88,3% dos estabelecimentos não tinham laboratório de ciências, enquanto 64,9% não dispunham de laboratório de informática. No Brasil, a situação era ainda pior: 91% e 67,1% respectivamente. Os dados são de 2006 e dizem respeito às unidades com turmas de ensino fundamental nas séries iniciais. Ao compararem os resultados obtidos pelos alunos em testes de matemática e língua portuguesa ou espanhola, os pesquisadores constataram que a existência de laboratórios de informática, de ciências, de biblioteca e sala de artes e música contribui decisivamente para aumentar a nota dos alunos. - É a desmistificação de que o estudante pode aprender o mesmo debaixo de uma árvore e numa escola apropriada. O professor é muito importante, mas não é só o que importa - disse ao GLOBO o economista Carlos Gargiulo, um dos autores do estudo. O levantamento analisou os resultados do Segundo Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Serce), prova aplicada pela Unesco a alunos do 3.º e do 6.º ano do ensino fundamental, em 2006. Na ponta do lápis, segundo Gargiulo - argentino naturalizado norte-americano - a existência dos quatro tipos de espaço de apoio pedagógico fez toda a diferença: alunos de escolas equipadas tiraram, na média, nota minimamente adequada à série, enquanto os demais, não. Nas escolas urbanas do 3.º ano do ensino fundamental devidamente equipadas, a média em língua portuguesa ou espanhola ficou em 525 pontos, ante 506 naquelas sem laboratórios, biblioteca e sala de artes. Em matemática, a situação repetiu-se: 524 a 497 pontos. Segundo Gargiulo, a escala do Serce vai até 600 pontos. No Brasil, participaram 5.711 alunos da 3ª série e 5.422 da 6ª série, em 155 escolas de 25 unidades da federação - só Acre e Rondônia ficaram de fora. Os estudantes brasileiros fizeram prova de português e matemática. Em outros nove países, houve teste também de ciências. O relatório destaca as disparidades entre a infraestrutura de colégios rurais e urbanos, assim com entre estabelecimentos privados e públicos. Nas escolas urbanas privadas dos 16 países, 81,7% tinham sala de computação, ante 12,9% nas escolas rurais públicas. - A conclusão clara é que os governos devem investir mais nas escolas. A escolas tem influência direta na aprendizagem dos estudantes - disse Gargiulo, lembrando que os países da América Central enfrentam a pior situação, com elevados índices de falta de água potável, esgoto e banheiros. Autor: Jornal O Globo