09/07/2012 Undime
Com Ideb de 6,9, a escola tem a maioria dos alunos é filho de pescador e dona de casa
Em Coruripe, uma das cidades mais pobres de Alagoas, a equipe da Escola Municipal José de Carvalho Souza diz que não há mágica no Ideb de 6,9, o maior do estado. A maioria dos meninos e meninas é filho de pescador ou marisqueiro e dona de casa. Pais e mães têm o ensino fundamental incompleto, ganham pouco mais de um salário mínimo, mas sem carteira assinada nem acesso a benefícios trabalhistas, como FGTS ou INSS.
Quem vê a escola não acredita no resultado. O lugar é simples, meninos e meninas vão de chinelos para as salas de aula. Mas, há uma diferença: os alunos com maior dificuldade no aprendizado têm atenção maior.
? Não há segredo. Quem estuda à tarde e precisa de reforço, chega às dez da manhã, vai para a aula, almoça e não volta para casa. Fica para a aula. Quem estuda de manhã, almoça e fica à tarde para o reforço ? explica a diretora.
A metodologia fez o índice de repetência cair de 30%, há cinco anos, para menos de 3%.
? Não inventamos a roda por aqui. Se um professor tem problemas, a diretora, que é professora, se sensibiliza, nos motiva a trabalhar. Se um professor tem problemas, nos aproximamos para conversar, interagir. É um método humano ? diz a professora Josivânia da Silva Lima, que usa música em suas aulas.
Equipe de olho nos alunos
Os professores da Escola Municipal José de Carvalho Souza se reúnem a cada 15 dias para trocar experiências, desabafos e ler textos com experiências pedagógicas.
? Usamos os métodos de ensino mais atuais, não temos um autor ou uma linha pedagógica. E, claro, a educação tradicional porque há alunos que não ?funcionam? sem ela. Agora, não temos pais que participem do dia a dia da escola ? conta a diretora Josenete Portela Silva.
Na unidade, cada coordenador conhece a ficha escolar e o ambiente familiar dos alunos e quem precisa de apoio recebe visita em casa. No entanto, o método não é perfeito. Muitos acabam entrando para o mundo das drogas.
? Mas este ambiente (da escola) ajuda muita gente. E mais a cada dia. Temos fé ? diz a diretora.
Com 90% dos professores tendo ensino superior, a escola alfabetiza as crianças antes dos 6 anos. E se um professor falta, a diretora pega o telefone e pede ajuda aos demais:
? Cumprimos, assim, os 200 dias de ano letivo.
A unidade conta com a ajuda do Instituto Ayrton Senna, que qualifica o diretor da escola, escolhido pelo prefeito.
Autor: Jornal O Globo
http://oglobo.globo.com/educacao/escola-municipal-de-alagoas-nao-tem-formula-magica-5419724Com Ideb de 6,9, a escola tem a maioria dos alunos é filho de pescador e dona de casa Em Coruripe, uma das cidades mais pobres de Alagoas, a equipe da Escola Municipal José de Carvalho Souza diz que não há mágica no Ideb de 6,9, o maior do estado. A maioria dos meninos e meninas é filho de pescador ou marisqueiro e dona de casa. Pais e mães têm o ensino fundamental incompleto, ganham pouco mais de um salário mínimo, mas sem carteira assinada nem acesso a benefícios trabalhistas, como FGTS ou INSS. Quem vê a escola não acredita no resultado. O lugar é simples, meninos e meninas vão de chinelos para as salas de aula. Mas, há uma diferença: os alunos com maior dificuldade no aprendizado têm atenção maior. ? Não há segredo. Quem estuda à tarde e precisa de reforço, chega às dez da manhã, vai para a aula, almoça e não volta para casa. Fica para a aula. Quem estuda de manhã, almoça e fica à tarde para o reforço ? explica a diretora. A metodologia fez o índice de repetência cair de 30%, há cinco anos, para menos de 3%. ? Não inventamos a roda por aqui. Se um professor tem problemas, a diretora, que é professora, se sensibiliza, nos motiva a trabalhar. Se um professor tem problemas, nos aproximamos para conversar, interagir. É um método humano ? diz a professora Josivânia da Silva Lima, que usa música em suas aulas. Equipe de olho nos alunos Os professores da Escola Municipal José de Carvalho Souza se reúnem a cada 15 dias para trocar experiências, desabafos e ler textos com experiências pedagógicas. ? Usamos os métodos de ensino mais atuais, não temos um autor ou uma linha pedagógica. E, claro, a educação tradicional porque há alunos que não ?funcionam? sem ela. Agora, não temos pais que participem do dia a dia da escola ? conta a diretora Josenete Portela Silva. Na unidade, cada coordenador conhece a ficha escolar e o ambiente familiar dos alunos e quem precisa de apoio recebe visita em casa. No entanto, o método não é perfeito. Muitos acabam entrando para o mundo das drogas. ? Mas este ambiente (da escola) ajuda muita gente. E mais a cada dia. Temos fé ? diz a diretora. Com 90% dos professores tendo ensino superior, a escola alfabetiza as crianças antes dos 6 anos. E se um professor falta, a diretora pega o telefone e pede ajuda aos demais: ? Cumprimos, assim, os 200 dias de ano letivo. A unidade conta com a ajuda do Instituto Ayrton Senna, que qualifica o diretor da escola, escolhido pelo prefeito. Autor: Jornal O Globo http://oglobo.globo.com/educacao/escola-municipal-de-alagoas-nao-tem-formula-magica-5419724