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09/05/2006 Undime

Diversidade étnico-racial nas salas de aula

"Enquanto a filha caçula do Sr. João cochilava, as suas irmãs se preparavam para ir ao samba". Quem diria que nesta frase tão familiar do português brasileiro encontramos pelo menos três palavras de origem banto? Pois é o que afirma a Etnolinguista Yeda Castro, doutora em Línguas Africanas, professora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Assistente de línguas Africanas do Museu da língua Portuguesa em São Paulo. De acordo com Castro, as línguas do grupo banto mais faladas em Angola e Congo foram as que mais influenciaram o português do Brasil. "Seus falantes, trazidos em cativeiro para o Brasil, foram obrigados a falar o português e introduziram nessa nova língua, hábitos lingüísticos de suas línguas maternas", explica. Na frase acima, por exemplo, as palavras caçula e cochilava são palavras de origem banto que substituíram as palavras benjamim e dormitar de origem portuguesa. O significado real da palavra samba, também de origem banto, é rezar e orar, mas no Brasil é sinônimo de música e dança.

Cerca de 50 mil professores e professoras do ensino infantil, fundamental e médio das escolas públicas do país terão a oportunidade de aprender mais sobre as influencias das línguas africanas no português brasileiro através do curso a distância de Educação Étnico-Racial oferecido pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad) do Ministério da Educação (MEC) e a Universidade de Brasília (UnB). O curso tem como objetivo apoiar estados e municípios no cumprimento da Lei Federal nº 10.639, de 9 de Janeiro de 2003, e proporcionar a capacitação de professores para o ensino de história e cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas de educação básica. A coordenadora-geral de Diversidade e Inclusão Educacional da Secad, Eliane Cavalleiro, está otimista com a possibilidade do curso mudar o atual quadro de desvalorização da história e da cultura afro-brasileira e africana na sociedade. "Esperamos que nossos alunos e alunas ao se beneficiarem da possibilidade de refletirem sobre uma temática tão importante, desenvolvam um senso crítico sobre as ideologias presentes na sociedade. Mais do que isso, esperamos que uma nova geração rejeite a presença de racismo na sociedade brasileira", torce Cavalleiro.

Módulos - O curso tem 120 horas e é composto por dois módulos. Um sobre história e cultura, no qual serão abordados temas como geografia africana, o negro no Brasil, a influência de línguas africanas no português brasileiro, a religiosidade afro-brasileira, dentre outros. O segundo enfatiza os espaços pedagógicos e aborda, por exemplo, a questão racial na educação infantil e na construção da identidade.

Duração do curso - O curso será realizado no período de 19 de junho a 20 de outubro de 2006. O professor Bernardo Kipnis, diretor do Centro de Educação a Distância (Cead) da UnB, explica que os cursistas poderão interagir entre si e com o tutor, responsável por acompanhar diretamente as atividades no ambiente virtual. As inscrições estão abertas até o dia 15 de maio nas escolas públicas pré-selecionadas pelo MEC. As Secretarias de Educação Estaduais e Municipais deverão designar os coordenadores pedagógicos que serão os responsáveis pela articulação e apoio aos professores na inscrição do curso em seus respectivos municípios.

Escolha das escolas: Com base no Censo Escolar de 2004, o MEC elaborou a lista de escolas participantes. Era necessário que cada colégio tivesse acesso à internet, pelo menos 500 estudantes matriculados, possuir os três níveis de ensino e estar em uma das 14 regiões metropolitanas selecionadas ou em uma das 26 capitais estaduais e o Distrito Federal. Cada escola poderá escolher sua própria dinâmica e horário de trabalho. Para saber se sua escola está entre as selecionadas acesse a página: www. mec.gov.br/secad/diversidade/ci  

Para mais informações, favor contactar:

Coordenação-Geral de Diversidade e Inclusão Educacional
Página: www. mec.gov.br/secad/diversidade/ci
Telefone: 61 2104 6078/ 6306/6154

Centro de Educação a Distância (CEAD/UnB)
Página: www.cead.unb.br/eab
Telelefone: 61 3349 8052
Endereço eletrônico: africanidades@cead.unb.br

Assessora de Comunicação Social Secad/MEC
Ivonne Ferreira
Telefone: 61 2104 6081/9382


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