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25/05/2026 Undime

Em pesquisa nacional, 48% das redes municipais ouvidas adotam estratégias de letramento matemático na Educação Infantil

Levantamento ouviu 2.712 secretarias municipais de ensino, o que representa 49% do total do país

 

 

Dados da pesquisa inédita “Percepções e Desafios da Educação Infantil Pública”, realizada pelo Itaú Social em parceria com a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação), com apoio técnico do Plano CDE, revelam que quase metade das redes municipais brasileiras ouvidas já implementa estratégias específicas de letramento matemático na Educação Infantil. O levantamento mostra que 48% dos municípios participantes desenvolvem ações estruturadas nesse campo e revela um cenário de avanços mais amplos: 76% das redes já promovem práticas voltadas à linguagem e cultura escrita, enquanto estratégias pedagógicas e de busca ativa figuram entre as mais consolidadas na rotina das redes.

“Quando quase metade das redes municipais ouvidas já implementa estratégias de letramento matemático nessa etapa escolar, é um indício forte de que o país tem experiências concretas, caminhos testados e capacidade instalada para avançar. Ao mesmo tempo, o fato de a outra metade ainda não contar com essas iniciativas revela um desafio urgente de equidade. É preciso transformar o que já funciona em política pública estruturada, fortalecendo o regime de colaboração entre municípios, estados e União para garantir que todas as crianças tenham acesso, desde cedo, a experiências significativas com a matemática, independentemente de onde vivem”, explica Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social.

Os dados sinalizam que as atividades relacionadas à cultura escrita são mais disseminadas pelas redes de ensino, já que 76% dos gestores relatam desenvolver práticas focadas em leitura e escrita, enquanto 20% dizem não contar com esse tipo de iniciativa.

A pesquisa teve como objetivo mapear e compreender os principais desafios na oferta, gestão e qualificação da Educação Infantil, além de identificar oportunidades de ação para o enfrentamento das lacunas identificadas.

Ao todo, 2.712 redes municipais de ensino participaram do estudo, o que corresponde a 49% do total de municípios brasileiros. Em todas as regiões do país, a cobertura alcançou cerca de metade das redes, com exceção do Norte, que chegou a 62%, e do Sudeste, com 33%, garantindo um panorama abrangente sobre a organização da Educação Infantil no país.

Para o presidente nacional da Undime, Luiz Miguel Martins Garcia, Dirigente Municipal de Educação de Nova Odessa/SP, o estudo mostra avanços importantes na Educação Infantil, mas também evidencia que ainda há um caminho significativo a percorrer.

“A Educação Infantil é uma etapa decisiva da trajetória educacional, porque é nesse momento que começamos a construir experiências e oportunidades que impactarão toda a vida escolar e social das crianças. Por isso, as redes municipais precisam planejar políticas públicas para a primeira infância que considerem a escuta da comunidade escolar, a análise das desigualdades de cada território e o compromisso permanente com a garantia do direito à educação de qualidade. Isso perpassa a leitura de mundo e do contexto atual com a perspectiva de educar para uma sociedade futura imprevisível, mas certamente exigente e criativa. A educação das crianças hoje depende também da educação dos seus professores para este novo cenário que se desenha a cada dia".

Práticas pedagógicas avançam com implementação de estratégias e busca ativa

Segundo a pesquisa, iniciativas como ações pedagógicas estruturadas e busca ativa estão mais consolidadas e vêm sendo implementadas com menor grau de dificuldade pelas Secretarias Municipais de Educação, indicando maior presença dessas práticas no cotidiano escolar. Os destaques contemplam o apoio às escolas na promoção e facilitação do contato das crianças com o meio ambiente e com a natureza, apontado por 62% das secretarias participantes; a oferta de formação continuada aos professores, com foco no desenvolvimento das crianças (58%); e ações para garantir o acesso e a permanência das mesmas nas unidades educacionais (56%).

Ainda assim, persistem desafios importantes. Aspectos como o engajamento das famílias, o uso de tecnologias pelos professores e questões de infraestrutura figuram entre os

principais entraves à ampliação e qualificação dessas estratégias. Em áreas específicas, como a implementação de propostas voltadas às modalidades do campo, indígena e quilombola, apenas 28% das redes afirmam ter implementado essas iniciativas sem dificuldades, enquanto 30% relatam alguma complexidade, 8% muita dificuldade e outros 8% não as implementaram.

A transição para o Ensino Fundamental também apresenta fragilidades. Apenas 29% das redes dizem ter implementado planejamento conjunto com os anos iniciais e a produção de portfólios, ainda que com algum grau de complexidade. Já 17% não realizam planejamento articulado e 13% não adotam estratégias de transição com o uso de portfólios.

Nesse contexto, a formação continuada dos educadores aparece como um dos instrumentos centrais para fortalecer a qualidade das práticas pedagógicas na primeira infância. A pesquisa revela que, em média, 17% das redes trabalham bimestralmente temáticas pedagógicas como leitura e escrita, campos de experiência da BNCC (Base Nacional Comum Curricular), letramento matemático e desenvolvimento infantil nas formações oferecidas a professores e gestores.

Desafios da gestão envolvem infraestrutura e inclusão

Além dos aspectos pedagógicos, a análise também identificou os principais entraves enfrentados pelas redes municipais no gerenciamento da primeira etapa da educação básica. Entre eles, 23% dos gestores apontam a infraestrutura das unidades como o maior desafio. Em seguida aparecem a inclusão de crianças com deficiência (15%), a gestão de vagas em creches (8%) e a implementação da Educação Integral (8%).

Apesar de 80% das redes afirmarem receber apoio das Secretarias Estaduais para a formação de professores e gestores e 61% para o acompanhamento e monitoramento dos avanços educacionais da Educação Infantil, ainda há lacunas consideráveis para o regime de colaboração. Apenas 27% dizem contar com assistência financeira, enquanto 81% indicam que gostariam de receber esse tipo de recurso.

Além disso, embora 67% recebam algum tipo de apoio estadual, um terço dos municípios ainda não conta com esse repasse. As demandas prioritárias, como financiamento, formação de profissionais e oferta de materiais, indicam que a coordenação entre estados e municípios ainda precisa avançar para reduzir desigualdades regionais e fortalecer as redes mais vulneráveis.

Na prática, esse suporte envolve repasses para a manutenção e o funcionamento das unidades, investimentos em infraestrutura, aquisição de materiais pedagógicos e a ampliação de vagas em creches.

Currículo e organização pedagógica avançam

O estudo mostra ainda avanços na organização pedagógica das redes. A maior parte dos municípios (63%) adota a matriz curricular estadual, o que reforça o papel do regime de colaboração na etapa.

Na pré-escola, 78% das redes informam que todas as unidades adaptaram o PPP (Projeto Político-Pedagógico) às diretrizes adotadas, e 77% consideram que a organização pedagógica contempla as especificidades das crianças e os objetivos de desenvolvimento e aprendizagem. O PPP é o documento que orienta a organização pedagógica de cada escola, definindo objetivos, metas e a forma como as diretrizes educacionais são implementadas na prática.

Ainda assim, 37% das redes relatam dificuldades na revisão dos PPPs à luz da BNCC, o que sinaliza desafios na atualização e consolidação das diretrizes pedagógicas na etapa.

Acesse o relatório completo: https://undime.org.br/uploads/documentos/phpx6UhHj_6a14bf10766c1.pdf

Fonte: Undime


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