01/08/2016 Undime

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Na Bahia seminário debate a Base Nacional Comum Curricular e estudantes participam ativamente

 

Nos dias 26 e 27 de julho a Bahia debateu a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em seminário que contou com a ampla participação da comunidade educacional do estado. O evento, realizado na capital Salvador (BA), foi uma iniciativa da Comissão Estadual de mobilização da Base Nacional Comum Curricular na Bahia, constituída por representantes do Consed, da Undime, do Fórum Estadual de Educação do estado, do Conselho Estadual de Educação, da Associação Baiana de Estudantes Secundaristas, do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia e da APLB Sindicato.

Ao longo dos dois dias de encontro, professores, estudantes do Ensino Médio, especialistas e representantes de instituições ligadas à educação trabalharam em grupo, divididos conforme as etapas da educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental - anos iniciais e anos finais - e Ensino Médio) no sentido de analisar e propor contribuições à segunda versão do documento.

O evento contou com a presença ativa de estudantes. De acordo com eles, a participação da categoria no seminário é importante no sentido de que também podem contribuir com o debate, mesmo não tendo a experiência pedagógica, pois têm uma outra visão e têm a vivência da sala de aula que, na opinião deles, é extremamente importante. "Eu acho importante, porque quando sair daqui [a Base] quem vai para a escola, para a sala de aula, somos nós", comentou a estudante do Ensino Médio, Luísa.

A Base Nacional Comum Curricular está prevista na Lei 13.005 de 2014, que estabelece o Plano Nacional de Educação (PNE). De acordo com a Lei, a BNCC representa a proposta dos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para os alunos da educação básica e deve ser elaborada e enviada ao Conselho Nacional de Educação (CNE), após consulta pública. Na primeira etapa de consulta pública o Ministério da Educação (MEC) recebeu mais de 12 milhões de contribuições, por meio do portal da Base. A segunda etapa acontece nos estados até o dia 5 de agosto, por meio da realização dos seminários.

Para a presidenta da Undime Região Nordeste e Undime Bahia, Gelcivânia Mota, a Base precisa assegurar um conjunto de conhecimentos que sejam comuns a todos, do ponto de vista do direito de aprendizagem. Segundo ela, que também é Dirigente Municipal de Educação de Serrinha (BA), a Base é fundamental no sentido de assegurar a equidade. "Ao mesmo tempo em que falamos de Base, nós estamos falando de currículo e ele precisa comportar o diverso. O que é próprio da história da Bahia, por exemplo, que não é próprio da história do Distrito Federal?". A questão de garantir a diversidade, respeitando as especificidades locais e regionais, é um dos pontos que precisam ser discutidos e trabalhados na Base.

A premissa de que é necessário contemplar a parte comum e a parte diversificada é confirmada em número, gênero e grau pelos estudantes que participaram do seminário. Em entrevista conjunta, eles relataram que, em virtude dos movimentos migratórios, tanto entre estados como entre municípios e até mesmo dentro do próprio município existe hoje um contraste muito grande entre o que se aprendeu e o ainda deve ser aprendido. Segundo eles, essa diferença é prejudicial. "As matérias não dialogam entre si e isso também é um problema. Por exemplo, História não dialoga com Filosofia, que não dialoga com Sociologia", comentou um deles.

Nadson Rodrigues, estudante do 3º ano do Ensino Médio e presidente da Associação Baiana de Estudantes Secundaristas (ABES/ BA), contou que as matérias são fragmentadas e que não se relacionam entre si, com a vida e com o estudante. Esse é principal motivo pelo qual, na opinião dele, os estudantes fizeram questão de se envolver com as discussões da Base no estado e também participar do seminário. "Eu amo a escola, eu acho que ela é o único meio que a gente consegue realmente transformar a sociedade. Se a gente tem problemas com a saúde, se a gente tem problemas com a segurança, se a gente tem problemas com a política, eu acho que a educação consegue resolver", desabafou.

Sob o ponto de vista de que as discussões da Base Nacional Comum Curricular têm ganhado força pela amplitude e qualidade da participação social, a represente da Undime na Comissão Estadual de mobilização da BNCC na Bahia, Rosilene Cavalcante, se mostra satisfeita. Segundo Rosilene, que também é Dirigente Municipal de Educação de Una (BA), município distante cerca de 600 km de Salvador, a comissão procurou trabalhar a Base nos municípios sob dois aspectos: trabalhar a garantia de que a Base é uma conquista social e que não se pode perder isso de vista e trabalhar a questão da instrumentalização para que os interessados possam ler o documento e dizer onde e como se sentem ou não contemplados.

Próximos passos – A Comissão Estadual de mobilização da BNCC terá até o dia 5 de agosto para enviar ao comitê gestor dessa etapa de discussão da Base, formado por Consed e Undime, o relatório com as contribuições apresentadas durante o seminário.

Para saber mais sobre os outros seminários estaduais que debatem a BNCC, acesse: http://seminarios.bncc.undime.org.br/

Fonte: Undime com a colaboração de Henrique Polidoro/ UnB

 

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