Mais de 100 educadores e técnicos ligados à educação infantil de várias regiões do país, incluindo lideranças da sociedade, secretarias e empresários, participaram, na última sexta-feira (17), no auditório do Hotel Meliá Jardim Europa, em São Paulo, do ?Seminário Nacional Projeto Creche para Todas as Crianças?, promovido pela Fundação Abrinq – Save the Children, em parceria com Instituto C&A.
A programação do Seminário contou com palestras comandadas por especialistas em educação, incluindo Ordália Alves Almeida e Ana Paula Soares, que falaram respectivamente sobre os temas: ?Os desafios da Educação Infantil? e ?Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil?. ?Política Nacional e Políticas Municipais de Educação Infantil? foi o tema abordado por Cleusa Rodrigues Repulho, presidente da Undime da Região Sudeste. O evento também teve apresentações de cases que ressaltaram ?A importância das Redes Sociais?.
O encontro teve como objetivo articular e mobilizar ações que garantam a educação, saúde e proteção para crianças de 0 a 3 anos no Brasil, além de envolver o público em um debate de como ampliar o acesso e melhorar a qualidade do atendimento em creches.
Na saudação de boas vindas, a gerente de Programas e Projetos da Fundação Abrinq ? Save the Children, Denise Cesario, relembrou as atividades do projeto, lançado naquele mesmo local em 2007, e enfatizou as propostas de que o Seminário possa alavancar as ações de articulação. ?Cabe a nós fortalecer a parceria em prol do acesso de qualidade à equipamentos, por isso estamos reunidos para somar esforços junto ao poder público e aos atores sociais para que essa causa esteja na pauta política?, ressaltou.
Segundo Ordália Alves, doutora em Educação e coordenadora do Curso de Especialização em Educação Infantil/MEC/UFMS, os desafios da educação infantil estão ligados aos direitos fundamentais da criança e às culturas infantis, no sentido de compreender quem são as crianças do mundo atual, do século XXI e que elas não podem ser educadas como as de outra época. ?Devemos trazer elementos do cotidiano para que as crianças possam descobrir e construir processos de significação do mundo social, como por exemplo, a brincadeira, que estabelece relações prazerosas ao interagir com os objetos e cria representações no vai-vém do mundo das crianças?, explicou.
?As mudanças são estruturais, não é apenas com o professor, deve passar também pela implementação de políticas públicas, aplicação de recursos e implantação das diretrizes da educação infantil. A causa da criança não pode esperar, estamos sempre pensando no futuro e devemos prepará-las para o presente, não podemos esperar por dias melhores, vamos aprender junto com elas para fazer o dia-a-dia melhor?, frisou a educadora.
A Rede Nacional da Primeira Infância (RNPI), a Rede da Primeira Infância do Estado do Ceará (REPI-CE), a Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação (CLADE), a Aliança pela Infância, a Organização Mundial Para Educação Pré-Escolar (OMEP) e o Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (MIEIB) foram as redes sociais que participaram das mesas de apresentação de cases, dividindo as experiências com o público. Todas ressaltaram a importância da mobilização social para incidir juridicamente no direito à educação. ?Apesar das especificidades de cada região, há elementos que nos une e são capazes de levar a ação?, disse Polyana Magalhães, da CLADE.
Os representantes das organizações aproveitaram o espaço para contar como desenvolvem, bem como os resultados que já foram alcançados com o trabalho. ?Quando a gente se abraça em rede conseguimos dar maior visibilidade às nossas ações?, destacou Maria Aparecida Salmaze, da OMEP.
As Diretrizes Curriculares Nacionais, documento que orienta o planejamento curricular das escolas e sistemas de ensino, fixadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), foram apresentadas uma a uma por Ana Paula Soares, consultora das DCNs e professorada USP Ribeirão, que mostrou que a criança vista como sujeito de direito é a centralidade da proposta curricular.
?As nossas práticas constituem sujeitos. A brincadeira está na proposta curricular, que tem o entendimento de que a criança de 0 a 6 anos vive e conhece o mundo pela brincadeira?, afirmou Ana Paula. A professora também destacou a importância da articulação dos movimentos sociais para fomentar essa discussão nos seus municípios. ?As diretrizes tem caráter mandatório, por isso os municípios devem repensar para formular seus currículos com base na lei?, disse.
Já a Secretária da Educação de São Bernardo do Campo e presidente da Undime da Região Sudeste, Cleusa Rodrigues Repulho, mostrou ao público o outro lado, o do poder público, o que desencadeou um debate construtivo. ?Dos 5.564 municípios, no máximo 350 conseguem garantir educação com recursos próprios. Fica claro que não sobra dinheiro para educação infantil e toda dificuldade que é para manter a pré-escola?, comprovou.
Para quebrar barreiras e alavancar melhores resultados, a secretária propôs que todas as organizações ajudem na gestão pública . “O PNE não está longe de cumprir o que diz respeito à pré-escola, mas está anos luz no que se diz respeito às creches. Vamos compreender as dificuldades do outro e olhar a educação alem da discussão pedagógica, é preciso saber quanto custa cada aluno?, ressaltou.
O encerramento do Seminário foi feito após o debate, com a entrega de certificados para todos que estiveram presentes, durante esses dois dias de evento, e contribuíram para ajudar a construir um contexto favorável para avançar no acesso, no financiamento, no conhecimento da demanda e no diálogo intersetorial entre a educação e a proteção integral de crianças de 0 a 3 anos.
Faça o download das apresentações aqui:
Os desafios da Educação Infantil
Ordália Alves Almeida (UFMS)
A importância das redes sociais – Apresentação de Cases
Ana Rosa Beal (RNPI)
Luzia Torres Gerosa Laffite (REPI-CE)
Polyana Magalhães (CLADE)
Giovana Barbosa de Souza (Aliança pela Infância)
Maria Aparecida Salmaze (OMEP)
Vilmar Klemann (MIEIB)
Diretrizes Curricurales Nacionais de Educação Infantil
Ana Paula Soares (USP)
Política Nacional e Políticas Municipais de Educação Infantil
Cleusa Rodrigues Repulho (Undime)
Autor: Fundação Abrinq


