O primeiro discurso da presidenta Cleuza Repulho foi emocionado e emocionante. É que na semana em que tomou posse, tornou-se avó pela primeira vez, com o nascimento do filho da filha única. Ao falar dela, chorou, lembrando da torcida que deixou em São Bernardo do Campo, cidade em que é dirigente. “Enquanto eu estava ali na mesa, ela acompanhava o programa e sabia que era hora da eleição. Ela saiu do hospital, ligou e falou: mãe, aproveita que agora é o seu momento. As pessoas que me conhecem sabem que eu não choro na frente de ninguém de jeito nenhum, mas vocês não têm a dimensão do quanto têm sido especiais esses últimos meses e esses últimos dias.”
Cleuza Repulho convocou os dirigentes de todo o país para, juntos, trabalharem para a melhoria da educação pública nacional. Lembrou que neste ano a prioridade é o Plano Nacional de Educação, em tramitação do Congresso Nacional. E ressaltou que essa responsabilidade é, sobretudo, da diretoria executiva. “Quem escolheu participar da diretoria da Undime tem a clareza de que eu vou cobrar a representação de vocês porque vocês representam o estado de vocês. Nós somos educadores e eu vou usar um processo educativo. Aqueles que não cumprirem os seus compromissos serão chamados à diretoria para uma conversa muito séria”.
A dirigente municipal de São Bernardo do Campo falou ainda sobre a cidade em que vive e sobre a educação no município. Fez questão de dizer que um orçamento robusto não é sinônimo de um mar de rosas. Lembrou que a cidade tem a terceira maior receita de São Paulo, mas ainda sofre com bolsões de pobreza que dificultam a aplicação educacional pública como deveria ser. E que os problemas de um município podem não ser os mesmos de outro. Mas que, no fim, a educação com qualidade deve prevalecer. Segundo ela, “ninguém e nenhuma criança neste país é mais importante que outra. Nenhum dirigente municipal é mais importante que outro porque seu orçamento é maior do que o outro. Todos nós escolhemos estar onde estamos e escolhemos nos dedicar a isso”.
Para encerrar, disse que a partir daquele momento estava à disposição da Undime e, principalmente, de todos os dirigentes municipais. E tocou em um assunto delicado> a responsabilidade da aplicação financeira na educação municipal. Hoje, quem define onde e como aplicar as verbas é o prefeito da cidade. O certo, segundo ela, é que essa atribuição fique com o dirigente municipal: “nós sabemos discutir sobre financiamento. O que a gente não pode e não deve é ser tutelado ou usado como instrumento para que recursos da educação não estejam na educação”, concluiu.


