Para professor, alfabetização deve começar aos seis anos

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O professor Artur Morais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) defendeu ontem, durante palestra no 1º Seminário Internacional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), realizado em Natal, que a alfabetização nas escolas públicas do Brasil deve ocorrer aos seis anos da criança, e não aos nove, como é feito hoje em dia na grande maioria das escolas da rede pública de ensino. Morais argumentou que nas escolas da rede particular, todas as crianças são alfabetizadas aos seis anos, e que essa diferença é um atraso na educação de milhares de crianças. ‘‘Precisamos acabar com essa diferença no período da alfabetização, até mesmo como uma forma de minimizar as desigualdades entre os estudantes das redes públicas e particulares de ensino’’ defendeu.

Ele afirmou ainda que a responsabilidade da alfabetização não se restringe ao professor. É uma tarefa conjunta de toda a escola, incluindo diretores, colegas de sala aula e professores em geral. ‘‘Toda escola tem de estar voltada para alfabetizar os alunos e proporcionar a eles as condições necessárias para que o fato aconteça. Não podemos perder tempo. Em educação um ano representa muito, por isso defendo que a alfabetização seja realizada aos seis anos, esperar para os nove é um atraso muito grande na educação’’, enfatizou.

Durante sua explanação ele realizou uma rápida avaliação do sistema de ensino de 1990 para 2008. Segundo o professor muita coisa mudou, porém um dado que existia naquela época ainda hoje permanece igual, que é o do fracasso na alfabetização, fato que segundo ele ocorre apenas na rede pública.

Segundo Morais, a solução para diminuir as diferenças está exatamente na educação, no processo da alfabetização e de como ela é feita. ‘‘A partir da educação é possível abrir um novo leque de oportunidades para o cidadão’’, defendeu ele. A presidente da Undime, a secretária municipal de educação de Natal, Justina Iva, aproveitou o seminário para explicar que a instituição tem papel articulador. ‘‘É por meio da Undime que as secretarias municipais de educação podem estabelecer redes solidárias de troca de informações e experiências. Por isso eventos como este e outros realizados pela Undime são tão importantes’’, afirmou ela. O seminário encerra-se hoje, na programação apresentação cultural, às 9h; Palestra e debate sobre o Modelo cubano para preparação das crianças na primeira infância, proferida pela especialista do Ministério de Educação de Cuba Miriam Valdés Cabot, das 9h30m às 11h30m. Posteriormente a Presidente do Conselho Nacional de Educação, Clélia Brandão Alvarenga Craveiro, falará sobre as normas nacionais para a ampliação do Ensino Fundamental para 9 anos de duração, a partir das 11h30m.

Saiba mais

A União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) é uma entidade nacional que congrega os dirigentes municipais de educação. Fundada em outubro de 1986, é uma associação civil sem fins lucrativos e autônoma que tem a função de fomentar e apoiar interesses da educação municipal, integrando seus representantes no processo decisório do setor educacional, rompendo com o isolamento das instituições e levando para cada município o debate regional e nacional.

A instituição organiza e promove seminários, fóruns, congressos e reuniões, voltados à educação pública, cidadã e de qualidade para todos. Mantém estreitos contatos com sindicatos, associações, organizações não governamentais e demais entidades da sociedade civil, que tenham interesse no processo educacional. Conserva, também, relações com as três esferas do poder público: Judiciário, Legislativo e Executivo, almejando contribuir para a formulação, promoção e acompanhamento de políticas nacionais de educação.

A presidente Nacional da Undime atualmente é a professora e secretária municipal de educação de Natal Justina Iva. 
 
 
 

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