As atividades do Encontro
Os quatro dias de encontro ofereceram formação aos diversos educadores e ativistas presentes, com mesas que trouxeram ao debate temas como o direito à livre expressão, à cidade e ao transporte, a oposição à violência sexual contra mulheres e a intersecção destes com o debate educacional, na fala de representantes do MPL (Movimento Passe Livre) e da Marcha das Vadias. Também foram realizadas palestras sobre as estratégias de incidência na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, debates sobre a regulamentação da exploração do petróleo e preparação da delegação da Campanha para a Conae2014, além de oficinas sobre projetos que a rede desenvolve com instituições parceiras.
Na terça-feira, 20 de agosto, os membros dos 25 comitês realizaram um ato público de incidência no Senado Federal, visitando os gabinetes dos senadores que representam seus estados para apresentar e defender propostas para o Plano Nacional de Educação, como o investimento dos 10% do PIB em Educação Pública.
?A Campanha tem como um de seus princípios a formação de atores políticos e novas lideranças e a ação de advocacy durante o encontro nacional tem como objetivo trazer os membros da rede à ação política direta no Congresso Nacional, fazendo com que eles se deparem com a realidade do parlamento e aprendam com isso?, explica o coordenador geral, Daniel Cara.
Elos da Rede
De forma geral, os membros da Campanha também integram outras entidades e grupos com atuação em setores específicos da educação ou que realizam atividades em outras áreas sociais que priorizam sua relação com o ensino. Analise da Silva, por exemplo, é professora da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do Fórum de Educação de Jovens e Adultos de seu estado.
?Para os fóruns de EJA, integrar a Campanha é extremamente estratégico, pois a educação de jovens e adultos é tratada pela maioria dos gestores como um projeto, mas ela é uma modalidade amparada pela Constituição Federal e pela LDB. Estar aqui nos dá visibilidade, nos coloca a dialogar com outros sujeitos na construção da educação de qualidade social?, afirma a professora. Representantes dos Fóruns de EJA de São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro e Alagoas também fazem parte dos respectivos comitês locais da Campanha.
Assim como Analise, a professora universitária e integrante do Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil no Brasil) no Maranhão, Fabiana Canavieira, também encontrou outros ativistas da educação infantil, permitindo uma troca de experiência entre os estados. ?O encontro auxilia no fortalecimento da Campanha, com discussões regionais e nacionais, com uma formação política que proporciona uma unidade em relação às principais bandeiras de luta do campo educacional?, diz.
?Uma grande virtude do diálogo é que a fala do outro te faz pensar coisas que você anteriormente não tinha pensado. Se me disponho ao diálogo, o outro me estimula não só pela fala dele, mas a incorporação da fala dele me ajuda a fazer interlocuções que sozinho não faria. Essa troca é o motor da presencialidade?, reflete o professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, Idevaldo Bodião, integrante do Comitê Diretivo da Campanha.
Assim como as redes de tecido, que só se formam a partir de suas aberturas, uma rede social também segue essa dinâmica. Desde maio, ativistas da educação infantil de Goiás estão discutindo a formação um comitê no estado. ?Nós vimos para conhecer mais de perto esse movimento e levarmos novas contribuições para as conferências municipais e estaduais?, disse Lucileine Gonçalves, membro do Fórum Goiano de Educação Infantil e integrante do pró-comitê da Campanha em Goiás.
Todos estão convidados a participar dessa roda. Quem quiser desenvolver seu ativismo pela educação em seu estado junto com a rede, pode procurar a Campanha Nacional pelo Direito à Educação por meio do site http://www.campanhaeducacao.org.br/ ou mandar um e-mail para campanha@campanhaeducacao.org.br.
Autor: Campanha Nacional pelo Direito à Educação


