O assessor técnico da Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação (OEI), Roberto Algarte, mostrou-se preocupado com a demora na implementação dos Planos Municipais de Educação no país. ?Peço aos gestores que pensem em uma maneira de tornar o processo mais célere. E desejo também muita coragem, porque para melhorar a educação no Brasil tem que ter coragem e ser diferente?, afirmou.
Roberto Algarte também falou de desenvolvimento sustentável, que é composto pela economia e por desenvolvimento humano. De acordo com a OEI, é preciso envolver a sociedade na educação, buscar um comprometimento, educar na diversidade, ampliar a Educação Infantil, universalizar a Educação Básica, melhorar a qualidade da educação e do currículo escolar e desta forma favorecer a conexão escola?trabalho. Também é preciso, segundo ele, oferecer a oportunidade de educação permanente, fortalecer a profissão docente, conseguir mais recursos para educação e investir da melhor maneira no setor. Além de ampliar o espaço Ibero-Americano do conhecimento e fortalecer a pesquisa científica.
Roberto Algarte destacou alguns assuntos que ainda preocupam: educação inclusiva, direito à educação integral, gestão democrática, regime de colaboração integrado em todo o país e definição de parâmetros e diretrizes para qualificação dos profissionais em educação e remuneração.
A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (Anped), que congrega 23 grupos de trabalho para discutir pesquisas na área de educação, foi representada por sua vice-presidenta Leda Scheibe. Ela explicou que, ao lado da Undime e outras entidades, a Anped tem trabalhado na discussão de políticas públicas de educação para o país, apesar das diferenças entre as instituições.
?Vivemos um ciclo de reformas nos ciclos educacionais. A construção de redes envolve sempre tensões. Não é fácil tensionar o público e o privado, a família e a escola. Qualidade social e qualidade elitista. Mas é um trabalho importante?, declarou a respeito do desafio.
Leda Scheibe também falou sobre a tensão entre regulação social e emancipação social. ?Essa tensão tem a ver com estados, municípios, centralização e descentralização. Tensão sempre presente. Até onde a regulação não interfere na emancipação? Tira-se do governo a obrigação de oferecer esse serviço e cria uma outra relação com esses serviços. Esse processo tem a ver com globalização?, afirmou a representante da Anped que também criticou a homogeneização da educação.
A coordenadora geral da Campanha Latino?americana pelo Direito à Educação (Clade), Camilla Croso, defendeu a educação como direito humano e o fortalecimento democrático ativo e participativo.
Camilla Croso enumerou como prioridades: a luta pela não discriminação na luta pela educação e o financiamento adequado que proporcione educação em plenitude. ?Percebemos que algumas faixas etárias não são privilegiadas. Por exemplo: a Educação de Jovens e Adultos em detrimento da Educação Infantil?, declarou.
A coordenadora manifestou preocupação também com a tendência de reduzir a concepção de educação em empregabilidade e uma padronização de provas na América Latina que reduz o currículo e desta forma reduz a educação. ?Agora está em discussão o que vai alimentar essas metas depois de 2015. A grande preocupação é com a avaliação. Preocupação com foco e objetivo de resultados. Qual é o parâmetro de resultados? Ninguém se opõe à aprendizagem. A nossa preocupação é o foco reducionista em resultados?, finalizou.
A representante da Clade recomendou que o debate sobre educação no Brasil seja sempre no sentido de melhorar a qualidade nas dimensões de disponibilidade, acessibilidade, aceitabilidade e pluralidade.


