Crescimento da nota de ensino médio estadual fluminense foi o segundo maior do país
O ensino médio do estado do Rio de Janeiro passou de penúltimo colocado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2009 para o 15º entre as 27 redes estaduais do país em 2011. Com nota 3,2, o Rio bateu a meta de 3,1 estabelecida pelo Inep. Depois de passar as últimas três edições do Ideb estagnado em 2,8, o estado conseguiu um crescimento de 0,4, o segundo maior do país, atrás apenas de Goiás, que subiu 0,5. No entanto, o resultado fluminense ainda ficou abaixo da média nacional, de 3,7, e o Rio permanece em último lugar na região Sudeste. A meta do governador Sérgio Cabral é estar no top 5 nacional em 2014. Os cinco primeiros são Santa Catarina (4), São Paulo (3,9), Minas Gerais (3,7), Paraná (3,7) e Goiás (3,6).
Em 2009, a rede estadual fluminese só teve um desempenho melhor no Ideb do que o do Piauí, empatado com Alagoas, Rio Grande do Norte e Amapá. Para Wilson Risolia, secretário estadual de Educação do Rio, a posição no ranqueamento atual superou as expectativas do governo, e o crescimento atingiu a meta estabelecida quando ele assumiu o cargo no fim de 2010. Risolia disse que agora está mais confiante para levar o Rio ao top 5 em 2014, mesmo se os estados à frente também crescerem.
? Superamos em muito nossa meta gerencial para este ano, que era ficar em 19º, e atingimos cravado o crescimento de 0,4 que havíamos projetado. Como formulador de políticas públicas, considero bom se todos estados evoluírem. Hoje, temos mais segurança sobre a nossa proposta e aonde podemos chegar. Antes, tínhamos o diagnóstico dos problemas e passamos a conhecer a realidade de perto. Agora consigo enxergar o problema que um aluno tem numa escola, da turma que for e da série que for, quais as competências que não conseguiu desenvolver. Assim, fica mais fácil fazer a correção de rumo e acelerar o crescimento ? disse Risolia.
Especialista diz que será preciso redobrar esforços para Rio chegar ao top 5 em 2014
Doutora em Educação pela PUC-Rio, Andrea Ramal reconhece o salto qualitativo do Rio, mas pondera que será preciso redobrar os esforços para atingir a meta estabelecida pelo governador Sérgio Cabral.
? O salto me parece muito positivo. Está acontecendo nos últimos anos um esforço de gestão, que se tornou mais eficaz, porque foram implementadas metas por escola e uma política de retenção do aluno na escola através de reforço. Mas ainda há ajustes a se fazer. Falta ainda incrementar a formação de professores e a valorização deles para que se possa ficar com os melhores talentos, além de melhorar a infraestrutura das escolas. O salto tem que ser ainda maior e o esforço do Rio terá que ser enorme. O governo vai ter que contar com outros parceiros e estreitar mais a relação com os professores, ouvir mais as dificuldades do dia a dia. Ainda há muito a avançar na construção de uma rede cooperativa ? aponta a especialista.
Se forem levadas em consideração apenas as médias das notas obtidas na Prova Brasil (exame nacional com questões de português e matemática), a situação do Rio melhora, passando a ocupar a 11ª colocação do ranking. O estado, junto com Santa Catarina, teve o maior crescimento do país, de 0,21. Segundo Risolia, isso foi possível graças ao estabelecimento de um currículo mínimo e do Saerjinho, uma avaliação diagnóstica bimestral para os alunos da rede (com provas de português, matemática, química, física e biologia). O secretário também destaca ações como programas de reforço escolar e formação continuada de professores.
? Chegamos na rede com o penúltimo lugar do Ideb. Não havia um currículo mínimo, e apenas 60 mil alunos com reforço, o que é pouco. Ao fim desse ano serão 240 mil. Abrimos 4 mil bolsas de formação continuada em 2011. Esse ano serão 7 mil. A relação de proficiência do aluno e de professor que passou pela formação é muito próxima. Turmas cujos professores passaram pela formação são bem melhores. Todo nossa formação é baseada no currículo. A cada dois meses, com o Saerjinho, fomos acompanhando o quanto a rede vinha crescendo nesse avaliador de proficiência ? explica o secretário.
O que puxou a nota do Rio para baixo foi o Indicador de Rendimento, que leva em conta as taxas de aprovação. Apesar de subir de 0,68 para 0,73, o estado ficou na 22ª colocação, na frente apenas de RN, MS, AL, RS e DF. Apesar de admitir que a nota ainda é baixa, Risolia destacou a redução no nível de abandono, de 16,5% em 2009 para 14,4%, em 2011, atribuída ao programa Renda Melhor Jovem (benefício destinado a alunos vindos de famílias com renda per capita mensal de R$ 120) e a gestão integrada escolar (Gide). Ele também anunciou medidas para diminuir o índice de reprovação, como um novo método de ensino para jovens e adultos (EJA), com uma didática nova, material de apoio com conteúdo digital e plano de aulas, que já estão em teste e serão lançados até o fim do ano:
? Nosso indicador está em 0,73, que ainda é baixo. Mas a redução do abandono contribuiu com 77% de melhora na taxa de rendimento. Isso é consequência do Renda Melhor Jovem, uma poupança para que o aluno que precisa trabalhar não abandone a escola. Tínhamos alguns casos de escolas que reprovam a metade dos alunos, o que não é normal. Implementamos a Gide, que nos permite medir as variáveis que afetam o desempenho escolar. Com isso, controlamos qualquer variável, como defasagem de idade-série elevada. Mantendo essa variação nesse ritmo, seguramente aprovaremos mais. Se a proficiência cresce, o indicador de fluxo acompanha: aluno aprende mais e repete menos.
O Rio é o único estado do país em que menos da metade dos municípios atingiu a meta do Ideb 2011 nos anos iniciais do ensino fundamental, na rede municipal: 47,3%.
Municípios vizinhos e ricos em royalties como Campos e Rio das Ostras tiveram resultados diferentes. Presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação do Rio (Undime), José Adilson Gonçalves Priori lembra que, além da questão do tamanho (muito grande), Campos enfrentou problemas administrativos com a cassação e o retorno da prefeita Rosinha Garotinho:
? Quanto maior o município maior a complexidade. Alem disto, os problemas políticos enfrentados por aquela cidade com as trocas de prefeitos, acabam interferindo na gestão administrativa, que precisa de uma ação continuada para dar certo.
O dirigente acredita que com a implantação do pacto nacional de alfabetização na idade certa, os resultados do Ideb irão melhorar:
? Trata-se de uma parceria entre os governos municipais, estaduais e federal para graantir a formação continuada aos professores, e melhoria de recursos pedagógicos para possam garantir a alfabetizaão até o os oito anos de idade. É necessário que a sala de aula vá ao encontro dos descritos da Prova Brasil. A regra é simples, quanto maior a reprovação, pior desempenho. Precisamos melhorar a proeficiência do aluno para melhorar seu resultado, diminuindo assim o índice de reprovação.
Autor: Jornal O Globo
http://oglobo.globo.com/educacao/estado-do-rio-pula-do-penultimo-lugar-para-15-no-ideb-5788508


