Com o fim do prazo de três anos para entrar em vigor a obrigatoriedade do ensino de música na educação básica, pouco se vê de consistente nas escolas, principalmente na rede pública. A música ainda é trabalhada de forma essencialmente teórica e distante da realidade dos alunos. Por enquanto, o estudo é mais encontrado na grade curricular de escolas particulares.
Sancionada em 18 de agosto de 2008, a Lei n.º 11.769 determina que a música seja conteúdo obrigatório em todas escolas do país. O prazo de adaptação e implantação da norma terminou em 19 de agosto. Nas escolas municipais de todo o Paraná, não se tem notícias de muitas iniciativas de inclusão.
Na rede estadual, o ensino da música já fazia parte do conteúdo da disciplina de Artes antes da regra. Como a lei não especifica conteúdos, nem obriga que a música seja uma disciplina exclusiva, nada mudou. ?Há cerca de oito anos, o projeto político-pedagógico de qualquer escola deve contemplar a música na disciplina de Artes, junto com artes visuais, artes cênicas e dança?, explica o coordenador técnico do Núcleo Regional de Ensino de Londrina, Arnaldo Bacaro.
Formação
O que gera polêmica é o fato de os professores de Artes terem formações variadas e poucas vezes em Música. Dentre os profissionais que lecionam Artes na rede estadual, 95% têm formação em Artes Visuais e adquirem conhecimentos musicais em oficinas. A lei não diz que o professor de música deve ter formação específica. Contudo, a professora do departamento de Música da Universidade Estadual de Maringá Vânia Malagutti Fialho lembra que a Lei de Diretrizes e Bases exige que, para lecionar, o professor precisa ser licenciado. ?A lei da música está inserida na LDB e por isso o professor de música deveria ter formação em Música.?
O Colégio Estadual Professor José Guimarães, de Curitiba, mostra a diferença que faz um professor com formação específica. Silviane Stocker de Lima, professora de Artes formada em Música, dá continuidade a um trabalho iniciado há dois anos, que inclui teoria, prática instrumental, marcação rítmica e contextualização historicopolítica. ?Cada professor de Artes aprofunda a área em que tem formação. Seria ideal ter só professores de música ensinando música, mas antes assim do que nada?, avalia.
Autor: Gazeta do Povo


