Educadores que participam de Conferência de Educação Indígena apontam deficiências

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A falta de professores é uma das reclamações mais freqüentes dos representantes dos estados da Bahia, Sergipe e Alagoas que participam da Conferência Regional Nordeste I de Educação Escolar Indígena, em Salvador. O vínculo precário dos educadores e os contratos de curta duração prejudicam o andamento das aulas e a qualidade do ensino.

Essa é a principal queixa de José Apolônio, representante dos Xocó, única etnia do estado de Sergipe, com cerca de 360 habitantes. Ele relata que na sua comunidade a contratação de professores é de um ano renovável por mais um. “Perdemos mais ou menos metade dos professores a cada dois anos, justamente quando eles estão integrados à escola e à comunidade. Não é possível implantar uma educação diferenciada de qualidade dessa maneira”, reclama.

Apolônio propõe que os gestores de educação solucionem essa questão. A única escola indígena de Sergipe tem 15 professores, dos quais oito não são indígenas.

Em Alagoas, o quadro não é diferente. A professora Márcia Nascimento, que leciona na escola de ensino fundamental da comunidade Jeripancó, conta que os contratos dos professores escolhidos pela comunidade é de apenas 12 meses. A falta de pessoal muitas vezes atrasa o início do ano letivo no calendário escolhido pela população local.

De acordo com a educadora, a situação do professorado das escolas indígenas no resto do estado também é ruim. Assim como Apolônio, a professora Márcia propõe na conferência a contratação mais estável e duradoura dos professores que atuam em comunidades indígenas em Alagoas.

Oferta e formação – Márcia aponta ainda a insuficiência de formação de professores para atuar em escolas indígenas no estado. Ela concluiu o curso de pedagogia, mas não cursou uma licenciatura intercultural. Dentre seus 17 colegas da escola Jeripancó, alguns têm nível médio e outros aguardam a implantação de um curso de magistério indígena que deve ser implementado pela secretaria estadual no segundo semestre deste ano.

Segundo Márcia, também faltam escolas em algumas comunidades; e em outras as aulas se dão nas casas dos moradores. “Há a perspectiva de construção de uma escola técnica para atender quatro comunidades, mas a questão da demarcação de terras prejudica o projeto”, conta.

Para melhorar a oferta de ensino para os indígenas em Sergipe, Apolônio Xocó sugere uma escola agrotécnica para os povos indígenas dos estados da Bahia, Alagoas e Sergipe, como estratégia de desenvolvimento, geração de renda e auto-sustentabilidade das comunidades. “Temos terra demarcada, água e luz; queremos técnicos da comunidade que possam dar assistência permanente para produzir laticínios e desenvolver a piscicultura e a pecuária”, concluiu.

As propostas dos 140 delegados que representam os 29 povos indígenas de Sergipe, Alagoas e Bahia, que forem aprovadas pela plenária, comporão o documento da conferência regional na próxima sexta-feira, 13.

 

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