Audiência pública discute resultados de pesquisa sobre o comportamento do leitor brasileiro

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Deputados e representantes de entidades ligadas à educação participaram na manhã desta quinta-feira (29) de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ministra da Cultura Ana de Hollanda foi a convidada especial para debater o assunto: os dados apresentados pela pesquisa ?Retratos da leitura no Brasil?, divulgada na quarta-feira (28), pelo Instituto Pró-Livro (ILP).

O intuito da pesquisa foi avaliar o perfil e o comportamento do leitor brasileiro. Entre junho e julho de 2011, foram entrevistadas 5.012 pessoas, com idade acima de 5 anos. Os dados apresentados revelam um panorama preocupante. Metade dos entrevistados afirmou que leu apenas um livro nos últimos três meses. O percentual de leitores no país caiu 5% (passou de 55% para 50%) se comparado à última pesquisa, realizada em 2007. ?A leitura é uma ferramenta fundamental para a emancipação do cidadão. Ainda estamos longe do ideal quando falamos de leitores no Brasil. Precisamos trabalhar em conjunto (se referindo ao Ministério da Cultura e Educação) para mudar essa realidade?, enfatizou a ministra.

De acordo com a pesquisa, também houve uma redução no percentual de pessoas que utilizam o tempo livre para ler um livro. Com o avanço da tecnologia e aumento do poder aquisitivo da população, a televisão e a internet têm atraído mais as pessoas.

As bibliotecas se mostraram locais pouco satisfatórias para leitura, segundo os entrevistados – 70% classificaram a biblioteca como um espaço destinado somente para se estudar e pesquisar. Quando questionados sobre os fatores que fariam com que as pessoas frequentassem mais uma biblioteca, 33% responderam que nada os influenciaria a mudar de ideia.

Para a maioria das pessoas a leitura significa uma forma de se adquirir conhecimento. Porém somente 18% do total de entrevistados afirmaram que a leitura é uma atividade prazerosa. Em 2007, o índice era de 8%.

A pesquisa constatou o que é previsível: lê mais quem está na escola e quanto maior o nível de escolaridade das pessoas e melhor a situação financeira, mais elas lêem. Por iniciativa própria, a população da região Sudeste é a que mais lê se comparada com as demais regiões do país. Monteiro Lobato e Machado de Assis foram os autores mais citados pelos entrevistados.

Mais da metade das pessoas afirma que não lê porque não entende o que está lendo. Para a professora Suelly Teixeira Mello, da Secretaria de Educação Básica do MEC, isso é preocupante porque demonstra a existência de problemas na alfabetização das crianças. ?Esse dado revela que a escola não tem cumprido o papel de formar leitores?, disse. Apesar disso, 45% dos entrevistados afirmaram que o professor é o principal responsável pelo incentivo à leitura.

A deputada Fátima Bezerra (PT-RN) destacou a importância da pesquisa. ?Esse é um instrumento fundamental para que possamos, a partir dele, formular políticas públicas para mudar esse panorama no Brasil?. O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, compartilhou da mesma ideia. ?É preciso saber agora qual será a postura do governo diante dessas informações?, ponderou.

A íntegra da pesquisa ainda não foi divulgada pelo Instituto Pró-Livro. Em breve ela estará disponível no portal. Aguarde!

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