O samba está nos pés, na palma das mãos e na ponta da língua. Sob o comando do professor Cesar Rodrigues, os alunos da rede pública de Cubatão (SP) participam do ?Projeto Crescer?. Com olhos e ouvidos atentos ao samba tocado em sala de aula, eles aprendem um pouco sobre cultura popular e histórias de resistência da população negra brasileira. O projeto atende crianças com idade entre 8 e 10 anos.
A ideia foi do professor Cesar. Ele desenvolveu o programa ?Escola com Samba?, no qual a intenção é mostrar aos alunos que o ritmo tem muito a ensinar. Para isso, ele abre mão de vários recursos e as crianças se entregam às atividades. O professor explica: ?Meu objetivo era tirar o samba dos redutos nos quais ele funciona, como as escolas e rodas de samba, e trazer para dentro da escola?.
O samba de raiz ajuda também a trabalhar a interpretação. O professor explica aos alunos o sentido das expressões nas músicas e, para facilitar, contextualiza com os dias de hoje. E é também por meio desse ritmo que eles aprendem a desenhar e editar vídeos em programas especializados. Quer dizer, o conteúdo trabalhado é multidisciplinar.
O projeto existe há dois anos e faz parte dos estudos de Doutorado do professor Cesar, realizados pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP), cujo tema é ?Corpos e culturas invisibilizados na escola?. Trata-se de uma das etapas da pesquisa sobre educação para relações etnicorraciais desenvolvida desde 2009, na qual a busca pela inserção das manifestações da cultura popular brasileira no currículo escolar tem sido um dos objetivos principais.
E não são só as crianças que se encantam pelo projeto. Maria Vitória, de 9 anos, conta que os pais gostaram bastante de ver que a filha havia aprendido a cantar e apreciar o estilo musical. Sabrina, de 10 anos, diz que a mãe, apaixonada pelo ritmo, aprovou a iniciativa. ?Aprendi a gostar e agora nunca mais eu vou esquecer o samba?, conta a garota.
Assista a reportagem completa sobre o projeto:


