Alunos das cidades da região serrana do Rio vão começar a estudar em datas distintas

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Até hoje, as imagens da tragédia causada pela chuva na região serrana do Rio de Janeiro nos deixam perplexos. Lembramos de uma senhora que foi salva pelos vizinhos sendo içada do teto de casa para um prédio ao lado. Da enxurrada que varreu de lama o centro das cidades e até mesmo do cãozinho que parecia esperar o dono ressucitar da cova onde foi enterrado. Mais uma das centenas de vítimas da maior enchente da história do país.

Agora, no início de ano letivo, é hora de nos lembrarmos das crianças. Forçadas a não estar alheias ao que aconteceu, esperam voltar à sala de aula. Ao convívio com os coleguinhas e com a professora. Mas muitas dessas expectativas vão sumir ao vento. Em São José do Vale do Rio Preto, por exemplo, quatro escolas foram atingidas. Uma está condenada pela defesa civil. Os alunos vão ter de ir para outro lugar de estudos. Os documentos estudantis de vários deles estão sendo secados depois de serem encontrados no mar de água doce. Outros tantos perderam os arquivos que tinham na escola para sempre. Mas todos, sem exceção, terão aulas.

O presidente da Undime do Rio de Janeiro, José Adilson Gonçalves Priori, diz que os estudos só terão início na próxima segunda-feira nas escolas que não foram prejudicadas pela chuva. “Todo o restante só deve começar a funcionar no dia 28 de fevereiro. É a nossa programação. Por isso, para os alunos dessas escolas, não vai haver recesso de junho”.

Estudo em mês de férias não será motivo de reclamação dos alunos. Eles vão ter, pelo menos, uma escola. Muitas delas estão sendo reconstruídas agora, com a ajuda do governo estadual. E não é só trabalho de pedreiro. A chuva levou embora material de cantina, mobiliário, computadores e tudo o que não tinha peso suficiente para resistir à água.

Em Teresópolis, vinte escolas também foram vítimas da fúria da natureza. Mesmo assim, servem de abrigo a quem perdeu casa, móveis, automóveis, animais de estimação, parentes… E vão ficar por lá até terem um abrigo definitivo. As crianças que estudariam nessas escolas vão ser realocadas.

O drama vivido pelos municípios da região serrana, bem se sabe, não será esquecido. Mas a tragédia não pode nos deixar esquecer que a vida continua. E se tiver educação será melhor ainda.

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