Representantes de escolas e organizações sociais de 11 cidades em oitos estados, além de Brasília, foram nesta terça à Câmara apresentar experiências pedagógicas bem-sucedidas. A iniciativa faz parte do projeto Observatório da Educação, da Comissão de Educação da Câmara, que reúne projetos que possam servir de base para a formulação de políticas públicas nacionais. Este ano, o colegiado realizou 13 seminários regionais para discussão e coleta de dados sobre as experiências escolares. Os projetos que mais se destacaram foram apresentados na Câmara.
Um projeto do Grupo AfroReaggae, do Rio de Janeiro, foi um dos destaques. A organização vem aplicando um questionário de risco social em famílias de cinco comunidades, incluindo Vigário Geral e Complexo do Alemão. São levados em consideração fatores relacionados a saúde, educação, direitos sociais, renda e habitação.
Após a aplicação do questionário, o grupo acompanha o desenvolvimento de cada família, garantindo que as crianças e os jovens frequentem a escola e tenham acesso a novas oportunidades. Danilo Gonçalves, que representou o grupo na Câmara, explicou que, no ano passado, houve melhora nos índices sociais de 54 por cento das famílias acompanhadas.
“O AfroReggae acredita, assim como o Pnud, que pobreza vai para além da renda. Não é somente a ausência de renda que configura a pobreza, e sim a privação em diversos outros indicadores, outras dimensões e características da vida da família. Nos seus 20 anos de desenvolvimento de atividades, o AfroReggae compreendeu que, dentre todas essas privações, as mais graves são as educacionais”.
De São Luís, foi destaque um projeto que utiliza a neurociência para estimular o desenvolvimento cognitivo de crianças de dois a 12 anos de idade. Com materiais didáticos específicos e atividades estruturadas aplicadas duas vezes por semana, o grupo vem melhorando a capacidade de aprendizagem dos jovens.
Apesar do sucesso dos projetos, os profissionais de educação pediram mais recursos para a educação pública no País e a votação do Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10), que destina 10 por cento do Produto Interno Bruto para iniciativas na área, de acordo com o substitutivo aprovado pela Câmara. É o que defende a presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, Cleuza Repulho.
“Um das grandes dificuldades hoje são os recursos para melhorar cada vez mais e trazer mais crianças para a escola. E essa diferença, com o PNE aprovado, com certeza vai acontecer”.
O Plano Nacional de Educação já foi aprovado pelos deputados em outubro de 2012 e está em fase de análise pelo Senado.
Autor: Rádio Senado


