A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Rodrigues Repulho, afirmou há pouco que fixar na porta da escola o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é ?cruel? e ajuda a estigmatizar os alunos. ?Isso é carimbar na testa das crianças que elas são pobres, negras, vivem em lugares distantes e ainda estudam na pior escola?, opinou.
As declarações foram dadas na audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre o Projeto de Lei 1530/11, que obriga as escolas de ensino básico a divulgar o seu Ideb em placas afixadas na porta dos estabelecimentos.
Segundo a debatedora, a iniciativa também vai fazer com que os professores não queiram trabalhar nas escolas com índices ruins. ?E o que vamos fazer nesses casos??, questionou. Ela defende a divulgação livre do índice pelos estabelecimentos, seja na reunião de pais ou em cartazes na escola.
Rótulo
?Você gostaria de ver a escola onde você estuda ou trabalha aparecer no Jornal Nacional como a pior escola do município??, questionou o representante do Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed), Claudio Cavalcanti Ribeiro. Ele acredita que a qualidade da educação não pode ser tratada de forma ?panfletária?, como, na sua visão, faz o projeto de lei.
Ribeiro, que também é secretário de Educação do Pará, lembra que o contexto socioeconômico em que a escola está inserida não é levado em conta no Ideb. ?Temos alunos no Pará que passam três horas e meia para chegar à sala de aula e três horas e meia para voltar?, destacou. Para ele, o que deve ser discutido, neste momento, é a questão do financiamento da educação pública do País.
Autor: Agência Câmara


