Atos repetitivos de violência física ou psicológica nas escolas devem ser combatidos em ação conjunta de professores, funcionários, pais e alunos, segundo participantes de audiência pública no Senado
O bullyng no ambiente escolar deve ser combatido por toda a sociedade, em uma união de esforços em busca de soluções. Essa ideia foi defendida ontem por debatedores em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), presidida por Paulo Paim (PT-RS).
De acordo com o psicólogo Augusto Pedra, o bullying é uma epidemia psicossocial com “um rápido poder de propagação”. Ao contrário de outras ações violentas, explicou Pedra, o bullying se caracteriza por ações deliberadas e repetitivas sem motivo evidente, pelo desequilíbrio de poder entre agressores e vítimas e por causar constrangimento. Para ele, o envolvimento de professores, funcionários, pais e alunos é fundamental para a superação dessa epidemia.
? Precisamos somar nossos esforços para enfrentar e erradicar esse mal de uma vez por todas ? disse o psicólogo.
Segundo Pedra, o bullying afeta a socialização, o ensino e a aprendizagem, além do desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Ele também observou que a carência afetiva, a ausência de limites e os maus-tratos por parte dos pais são os principais causadores do problema.
Participação dos pais
Ao narrar experiências de combate ao bullying em escolas do Distrito Federal, a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, defendeu maior participação dos pais no ambiente escolar. Segundo ela, as famílias têm atitudes paradoxais.
? Ou os pais acham que tudo é bullying e denunciam até casos de crianças de dois anos que mordem outras ou fingem que não acontecem casos de violência com seus filhos ? afirmou.
Para ela, a falta de dados concretos dificulta o combate à violência no ambiente escolar. De acordo com a professora, são comuns os casos de diretores de escolas que se negam a relatar casos de violência para não prejudicar a imagem da instituição.
? Por vezes, o diretor prefere dizer: “Não, na minha escola não há bullying”, do que assumir publicamente que ela tem esse fenômeno no seu interior ? disse.
Autor: Agência Senado


