Nada menos do que 32% das crianças entre quatro e cinco anos estão fora da escola por falta de vagas no ensino público do Distrito Federal. Isso porque, no ano passado, o investimento aprovado para a construção de novas instituições de ensino não foi executado pela Secretaria de Educação.
Dos R$ 24 milhões programados na Lei Orçamentária Anual para a construção de escolas de Educação Infantil, durante 2010, a secretaria investiu apenas R$ 5 milhões, e a falta de vagas preocupa tanto pais quanto especialistas.
“Nunca me esqueço do dia em que ele acordou cedo, sozinho, vestiu- se com o uniforme da antiga escola e pediu para eu levá-lo para a aula. Eu já estava apreensiva por não conseguir encontrar uma vaga para ele, mas essa atitude cortou meu coração”, relata Maria Celita Montes de Sousa, 40 anos, sobre a atitude do neto, Yuri Matheus Sousa Felix, que insistia em ir para a escola. “Como eu não conseguia vaga para ele na rede pública, consegui um emprego e o coloquei em uma escola particular. Mas só consegui pagar três meses. A mensalidade é muito alta, então tive que tirá-lo”, desabafa a avó de Yuri.
Ela também se preocupa com o futuro da outra neta, Surievily Sousa Felix, de apenas dois anos. “Se não tem vaga agora, imagina quando ela tiver idade para entrar na escola? Parece que a tendência de todos os governos é sempre piorar tudo”, comenta a avó, preocupada com o futuro escolar dos netos.
“Ver um filho pedir para ir para a escola e não poder levá-lo é um dos piores sentimentos do mundo. Eu não tenho condições de pagar escola, mas ver todos os meus filhos estudando é o meu maior sonho”, conta a bordadeira Grasiela Rodrigues de Souza, 31 anos, que desde o ano passado tenta conseguir uma vaga para Sarah Rodrigues, de quase cinco anos. “Eu ligo toda semana e nunca tem vaga. Para mim, quanto mais cedo entrar na escola, melhor. Dói o coração ver minha menina fora da escola.”
SAIBA +
– No ano passado, foram cadastradas no Telematrícula 22.670 crianças entre quatro e cinco anos. Dessas, 15.397 foram contempladas, uma cobertura de 67,92%.
– Apenas 75 itens do orçamento da educação, entre as 145 dotações iniciais, foram empenhados. Muitos dos empenhos foram feitos com valores menores que a metade do orçamento aprovado, como a verba para manutenção do Ensino Médio, que teve aprovado um orçamento de mais de R$ 14 milhões, mas só R$ 6 milhões foram aplicados.
– Nas creches para crianças entre zero e três anos, também é difícil conseguir vagas. Para suprir a demanda, o GDF faz convênio com as particulares para mais de oito mil crianças, mas pretende construir mais creches até o ano que vem


