Uma escola reconstruída pela comunidade

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A precariedade das instalações físicas que tem impedido o início das aulas em várias escolas da rede municipal de Natal, está agora provocando a ação voluntária de membros da própria comunidade, que têm literalmente posto a mão na massa para ver as unidades de ensino voltarem a funcionar após o período da greve dos professores. São pessoas simples com filhos matriculados nos estabelecimentos, mas existem casos em que essa ação também acontece na forma de parceria, envolvendo grupos que se utilizam do espaço físico da escola para realização de atividades e eventos. Em contrapartida, eles não apenas consertam a sala que utilizam para ensaios de um grupo de dança ou de um evangélico, mas também tapam o buraco da quadra utilizada por alunos. Eles fazem do serviço elétrico ao hidráulico, da pintura à plantação de horta, numa parceria que tem dado certo e atraído, principalmente, grupos culturais, igrejas e até empresas.

Na Escola Municipal Celestino Pimentel, na Cidade da Esperança, Zona Oeste de Natal, o início das aulas só foi possível devido a essa parceria com a comunidade. Havia problemas sérios nas instalações físicas, as paredes de muitas salas estavam sujas e esburacadas e as instalações elétricas e hidráulicas precisavam de reparos com urgência. Além disso, o prédio estava com banheiros interditados devido a um problema no sistema de esgoto e muitas infiltrações no teto, inviabilizando totalmente o início das aulas.

Como a escola não dispunha de nenhuma verba, apenas algum dinheiro que restava no caixa do ano passado, a diretora Josyáurea Atanásio comprou o material necessário para os reparos, mas faltava a mão-de-obra. Foi aí que a diretora fez um apelo aos grupos que normalmente usavam as dependências da escola para desenvolver atividades de dança, capoeira, quadrilhas e até cultos. A parceria deu certo com a Associação Cultural Rei do Baião, Igreja Adventista e Igreja Católica, que realizaram todos os consertos necessários para o início das aulas. “Hoje, quem não viu a escola antes não tem mais ideia de como estava”, comemora a diretora.

Com paredes novas, carteiras consertadas, esgoto, torneiras e banheiro funcionando, além de toda instalação elétrica em dia, a escola ainda ganhou um presente de fazer inveja: uma horta literalmente comunitária cuidadosamente preparada para servir de reforço à merenda dos 921 alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental e de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Na construção da horta foi fundamental a presença da comunidade, que limpou o terreno por trás da sala de aula, preparou o solo, construiu os leirões, fez a semeadura e brevemente começará a colher tomate, coentro, alface, pimentão, gerimum e banana.

“Agora aprendi a lidar com a administração municipal, o dinheiro sempre chega com um ano de atraso e sem reajustes. Ou compramos o material necessário para o serviço ou pagamos a mão-de-obra. Por isso apelamos para a comunidade fazer os consertos que a escola necessitava”, explica a diretora. Para ela, a respostada comunidade foi rápida e eficiente porque já existe um relacionamento com quem reside e trabalha no entorno da escola. Ela cita como bons serviços da escola o laboratório de informática, onde existem 28 computadores novos, e a sala de audiovisual, toda toda equipada com aparelhagem que vai servir de suporte às aulas teóricas e práticas.

Um dos voluntários que não hesitaram em doar um pouco de sua capacidade de trabalho à escola de seu bairro é o agente comunitário de saúde, Lúcio Carlos da Silva, 42. Treinador de uma escolinha de futebol que também se utilizam da quadra para a prática do esporte, foi ele quem organizou toda a horta, conseguiu mais voluntários e ainda vai ensinar os alunos a cuidarem da plantação, para que seja mantida regada e produzindo para abstecer a cozinha local. “Desde criança aprendi com minha família a fazer a minha parte e, benficiando a escola, também ajudo minha comunidade e, por extensão, minha própria família, que um dia poderá estudar aqui”, resume ele.

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