Alfabetização é tema de discussão do 1º Seminário Internacional da Undime

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             O 1º Seminário Internacional da Undime, que ocorreu em Natal (RN), entre 8 e 10 de dezembro, reuniu cerca de 400 educadores. Os debates acerca da alfabetização e as experiências dos modelos de educação internacionais apresentadas geraram contribuições para a educação infantil no Brasil.

            Segundo Francisca Maciel, professora adjunta da UFMG e diretora do Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita – Ceale, a década de 90 marcou a democratização do ensino. Agora, o desafio não é o acesso à escola, e sim a qualidade do ensino e a permanência dos alunos. “Não basta alfabetizar, tem que letrar”, lembrou a palestrante, explicando que, há alguns anos, para a pessoa ser considerada alfabetizada, bastava saber ler e escrever ou desenhar o nome. Hoje, a sociedade mudou e só isso não basta. Francisca também falou da importância das novas tecnologias: “Nós, professores, vivemos na era analógica, enquanto os alunos vivem na era digital. Temos que nos adequar a essa nova demanda”.
            Marien Peggy, mestre em educação pela Universidade Católica de Assunción, contou a experiência de alfabetização do Paraguai. “A formação da criança inicia-se no colo da mãe, por isso, a educação se faz com a interação da família e, a medida em que a criança vai crescendo, a figura do adulto vai desaparecendo, para que a criança se desenvolva sozinha”.
            Foi muito aplaudido o modelo de educação infantil de Cuba, país com a menor taxa de analfabetismo da América Latina. Lá, as mães contam com licença maternidade de um ano.  “As crianças até um ano de idade não estão na pré-escola, mas estão incluídas no sistema de ensino. São educadas, desde os primeiros meses de vida, exercícios para estimular a fala e que se tornam mais complexos com o passar do tempo”, afirmou a palestrante, Mirian Cabot.          
            A Presidenta da Undime, Justina Iva de Araújo Silva, afirmou que acredita na educação infantil pública de qualidade. “Os pais estão levando seus filhos para a educação infantil pública. Isso é uma prova de que os professores estão fazendo um bom trabalho”. Ela também anunciou o lançamento da Agenda dos Cem Primeiros Dias e do Caderno de Orientações ao Dirigente Municipal de Educação, documentos produzidos pela Undime em parceria com o Unicef. Também foi lançada, durante o encontro, a Revista Educação Municipal, da Undime.
            Na ocasião, a Undime reafirmou sua posição acerca do Piso Nacional dos Professores: “Somos a favor do Piso. O que está em discussão é a carga horária de atividades extra-classe, pois, caso não haja um aporte financeiro suficiente para complementar os recursos, os municípios não têm condições de cumpri-la”, afirmou a presidenta. Segundo ela, os municípios trabalham com orçamento apertado, principalmente os menores, que não podem contar com a arrecadação de impostos. A aplicação da jornada acarretaria a contratação de mais professores e isso, conseqüentemente, causa impacto financeiro, o que pode comprometer outras ações, como a compra de material, por exemplo. Justina lembrou também que os municípios cumprem a jornada estipulada no Plano Nacional de Educação, que é de 20 e 25% para preparação das aulas, avaliações e reuniões pedagógicas.
 

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