A mobilização para as conferências municipais e regionais, que anteciparão a I Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, têm início esse mês. As conferências ocorrerão nas próprias escolas, que somam 2.517, espalhadas por 24 estados brasileiros. O principal tema será a Gestão Territorial e Afirmação Cultural. Serão cinco eixos temáticos: educação e territorialidade, políticas pedagógicas da escola, ciência pedagógica e a pedagogia indígena, gestão e financiamento da educação, participação e controle social e diretrizes para a educação escolar indígena.
As conferências municipais vão ocorrer entre 8 de dezembro de 2008 a 19 de abril de 2009, as regionais entre 16 de dezembro de 2008 a 13 de agosto de 2009 e a Conferência Nacional, que ocorrerá em Brasília, será realizada entre os dias 21 e 25 de setembro de 2009. Segundo o coordenador da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, Gersem dos Santos, a discussão será feita por cerca de dez mil indígenas, somando todas as conferências. Para a Conferência Nacional, haverá representação dos 250 povos indígenas.
Para o Ministro da Educação, Fernando Haddad, a educação escolar indígena é uma questão urgente e essa conferência deve apontar diretrizes para uma política que atenda às suas especificidades. Segundo Haddad, é a primeira vez que todo o país vai discutir a questão e que, apesar da iniciativa vir somente 20 anos após a Constituição de 1988, esse é o primeiro passo para a melhoria do ensino.
Segundo Anastácio Peralta, a conferência também representa uma troca de experiências. “Antes acreditávamos que não tínhamos nada a ensinar, mas o homem branco também tem muito a aprender com os índios, como as tradições e o respeito à natureza”.
Participaram do lançamento da conferência, o presidente da Funai, Márcio Meira, o secretário da Secad, André Lázaro, os representantes do Consed, Lourenço Vieira da Silva, e da Undime, Solimara Lígia Moura, o representante indígena da Comissão Nacional de Política Indigenista, Anastácio Peralta, entre outras autoridades. Uma apresentação dos grupos indígenas Pataxó e Gavião marcou o encerramento do evento. Eles fizeram uma oração e, ao final, uma dança de confraternização para aproximar os não indígenas, que muitas vezes tem medo de índio, afirmou um deles.


