O Unicef disse hoje que, para melhorar de maneira definitiva os indicadores sociais, é preciso fazer investimentos na área da infância e dar prioridade às crianças. Em discurso no lançamento dos relatórios Situação Mundial da Infância e Situação da Infância e Adolescência Brasileiras, a representante do Unicef no Brasil, Reiko Niimi, disse que o Brasil tem metas a alcançar para garantir a eqüidade a suas crianças e adolescentes. E, para alcançá-las, precisa superar as iniqüidades que ainda fazem diferentes as oportunidades para meninas e meninos brasileiros.
Os relatórios do Unicef foram lançados hoje em Brasília, com a presença da senadora Patrícia Saboya, da Frente Parlamentar pela Criança, do chefe de gabinete do ministro Cristovam Buarque, Marcelo Aguiar, e da subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Denise Paiva. O lançamento foi simultâneo em outras 12 capitais brasileiras. Em Fortaleza, os relatórios foram divulgados pelo diretor regional do Unicef para a América Latina e o Caribe, Nils Kastberg.
O documento brasileiro traz dados sobre as diferenças de acesso a serviços de saúde e educação entre crianças pobres e ricas, que vivem em áreas rurais ou urbanas, que crescem no sul ou no norte do País. Quando uma criança nasce, sua etnia, a renda de sua família e a escolaridade de sua mãe determinam as oportunidades que ela terá na vida. Nascer menina ou menino, por exemplo, pode mudar as possibilidades da criança freqüentar a pré-escola e o ensino fundamental.
“Esses desafios podem ser superados. O Brasil já percorreu um caminho. Aprendemos que as iniqüidades são resolvidas sempre que há vontade própria”, disse Reiko Niimi. “O Brasil demonstra saber, em alguns casos, que as iniqüidades podem ser superadas e as diversidades – geográficas, de gênero, culturais – são verdadeiras riquezas, e não algo a ser combatido.”
A representante do Unicef no Brasil ressaltou que “ao lado dos alarmantes dados estatísticos, o relatório Situação da Infância e Adolescência Brasileiras mostra algumas das experiências em que o País prova que é possível superar as discriminações”. Uma dessas experiências merece destaque também no relatório global do Unicef Situação Mundial da Infância 2004 – Meninas, Educação e Desenvolvimento. O projeto Bolsa-Escola é destacado como uma das melhores experiências do mundo para garantir o acesso e a permanência das crianças na escola. Entre experiências de 14 países, a bolsa-escola brasileira é exemplo no Brasil, na África e na América Latina.
O documento global tem como tema a educação de meninas, uma das prioridades do Unicef e de mais de 190 países do mundo, comprometidos com as Metas de Desenvolvimento do Milênio. Uma das metas estabelecidas para 2005 é o acesso igual de meninas e meninos aos ensinos primário e secundário.
O relatório apresenta o desafio de garantir educação às meninas em algumas nações, relata projetos que aumentaram as matrículas escolares em diversos lugares do mundo e classifica 193 países e territórios segundo as taxas de mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade.


