Unesco quer levar Escola Aberta para outros países

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O exemplo pernambucano de redução da criminalidade com a abertura de escolas nos fins de semana para atividades culturais e esportivas será referência mundial. A embaixadora especial da Unesco, Ute-Henriette Ohoven, anunciou, ontem, em visita ao Recife, que o programa Escola Aberta, desenvolvido pela organização em 355 unidades públicas do Estado, servirá de parâmetro para programas similares em outros países.

Ela garantiu que o primeiro passo é a divulgação da experiência e a captação de mais recursos para o Escola Aberta no exterior. A embaixadora trouxe os irmãos ucranianos Vitali e Wladmir Klitschko, campeões mundiais de boxe, para conhecer o programa e ajudar na captação de verbas. “É preciso levar isso para todo o Brasil e para o resto do mundo”, ressaltou.

Os irmãos Klitschko, além de boxeadores, são doutores em Filosofia e Ciências do Esporte e mantêm projetos sociais em Kiev, capital da Ucrânia. Eles foram convidados para trabalhar como embaixadores mundiais da Unesco para a juventude. “Nosso trabalho será dar o exemplo para esses jovens e captar recursos em todos os lugares possíveis”, explicou Vitali. Wladmir lembrou que os dois começaram a lutar boxe nos fins de semana, como forma de lazer. “Os jovens canalizam toda a energia e agressividade nos esportes. Isso os afasta da criminalidade”, comentou.

A embaixadora da Unesco não especificou o montante de recursos que pode ser captado para o Escola Aberta, mas prometeu ampliar o programa. O representante da Unesco em Pernambuco, Júlio Jacobo, afirmou que, nas escolas que estão no programa desde o seu início, em 2000, os índices de violência e depredação foram reduzidos em 60%.

O Escola Aberta está presente em 13 dos 14 municípios da Região metropolitana do Recife. De acordo com o coordenador metropolitano do programa, Wilson Albuquerque, abrir a escola significa mais do que ter um espaço a mais de lazer. “A escola vira uma referência de espaço democrático. A comunidade se envolve diretamente com o programa e vê os resultados. Os pichadores, depois do Escola Aberta, têm virado grafiteiros e, agora, fazem arte.”

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