Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semi-árido

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Boletim 22

14 de dezembro de 2004

Unicef chama atenção para as ameaças à infância no Semi-árido

O Unicef lançou, no último dia 9 de julho, o relatório Situação Mundial da Infância. O documento destaca que, em todo o mundo, mais de 1 bilhão de crianças e adolescentes têm sua infância ameaçada pela pobreza, os conflitos armados e o HIV/Aids.

Ao fazer uma leitura de dados sobre o Brasil, a representante do UNICEF no Brasil, Marie-Pierre Poirier chamou atenção de todo o país para o fato de que as crianças do Semi-árido são as mais afetadas pela pobreza. Na região, 75% dos meninos e meninas vivem em famílias com renda menor ou igual a meio salário mínimo.

Marie-Pierre lembrou que a pobreza não se restringe à baixa renda da família. “Ela também deixa as crianças mais vulneráveis a problemas como a mortalidade infantil, a falta de acesso à água potável e ao saneamento, por exemplo”, destacou.

Saiba mais sobre o Relatório Mundial da Infância no site http://www.unicef.org.br

Pesquisa detalha situação das crianças no Semi-árido

Paralelamente ao relatório Situação Mundial da Infância, o Unicef aprofundou informações sobre a situação da criança e do adolescente no Semi-árido. Para isso, deu continuidade ao estudo Crianças e Adolescentes do Semi-árido, cuja primeira etapa foi publicada em 2003, analisando indicadores relativos à saúde e renda.

Segundo dados da Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar (PNAD – 2002), o Semi-árido apresenta os piores indicadores de iniqüidade do País. Quase 80% das riquezas da região estão concentrados nas mãos dos 20% mais ricos. No Brasil como um todo, os 20% mais ricos concentram cerca de 60% da renda. Enquanto isso, os 20% mais pobres do Semi-árido detém apenas 1,69% das riquezas da região, enquanto que essa mesma parcela da população brasileira possui 2,68% das riquezas.

Município do sertão de Pernambuco tem maior população abaixo da linha de pobreza

O levantamento também revela que, de acordo com o Censo 2000, o município de Manari, no sertão pernambucano, tem 79,63% dos seus habitantes vivendo na indigência, enquanto que o município baiano de Caatiba é o que possui menor percentual de habitantes nesta situação: 27,55%.

Manari também tem a pior taxa de mortalidade infantil da região. São 109 óbitos a cada 1000 nascidos vivos. Em Bocaiúva, Minas Gerais, a mortalidade é de 21,49 por 1000, o melhor índice entre os municípios do Semi-árido. Quando se trata de mortalidade abaixo dos cinco anos, Araioses, no Maranhão, tem mais de 128,7 óbitos por cada 1000 nascidos vivos. A fonte desses dados é o Censo de 2000.

Iniqüidade se reflete na infra-estrutura hospitalar

De acordo com a Pesquisa de Assistência Médico-Hospitalar (IBGE), a oferta de leitos no Brasil é 30% maior que no Semi-árido, e 8% maior que no Nordeste. Esse, por sua vez, tem uma oferta cerca de 20% superior à do Semi-árido. No Semi-árido, para cada leito hospitalar existem 490 habitantes. A média brasileira é de 360 habitantes por leito. No Nordeste, são 390 habitantes por leito.

Leia na próxima edição

Confira os resultados da reunião do Comitê Nacional em Brasília

Um Mundo para a Criança e o Adolescente do Semi-Árido é uma iniciativa do Unicef em parceria com: Presidência da República, Programa Fome Zero, Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Educação, do Desenvolvimento Agrário, da Integração Nacional, do Meio Ambiente, da Saúde, Secretaria Especial para Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Fundação Palmares, IBGE, Conanda e Frente Parlamentar da Infância; os governos dos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais e os Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente; Andi, ABMP, ASA, Cáritas Brasileira, Comitê Nacional de Enfrentamento da Exploração Sexual, Contag, CNTE, Conaq, Conass, Consed, Conasems, Fórum Nacional de Prevenção e de Erradicação do Trabalho Infantil, Fórum Nacional DCA, Fundação Abrinq, Fundação Joaquim Nabuco, Inesc, MST, Pastoral da Criança, Resab, Rede de Monitoramento Amiga da Criança, Secretaria de Educação Básica (MEC), Secretaria de Educação Especial (MEC), Uncme, Undime, Unefab, Pnud, BID e Banco Mundial.

Para mais informações, entre em contato: jnalves@unicef.org

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