Sem vagas, escolas vão atrasar aulas

Picture of undime

undime

O ano letivo em algumas escolas da rede municipal vai começar com mais de um mês de atraso. Ao invés do dia 10 de fevereiro, como está previsto no calendário escolar, os alunos só terão aulas a partir do final de março. A prefeitura de Cuiabá está improvisando 26 salas de aula em espaços alugados. Em um deles, um antigo supermercado do Jardim Umuarama desativado por causa da violência, será criada uma escola emergencial com seis salas.

Na Escola Rafael Rueda, no Jardim Umuarama, há salas com até 54 alunos cadastrados. Além das crianças que atingem a idade escolar, novas ocupações na área e a criação de um conjunto habitacional para desabrigados da enchente de 24 de abril de 2001 com mais de 200 casas aumentaram a procura por vagas e superlotaram a escola.

A dona de casa Elenice de Paula Araújo, que se mudou de uma área vizinha para o núcleo popular há poucas semanas, ficou surpresa ao procurar a escola Rafael Rueda na manhã de sexta-feira para renovar a matricular de uma das filhas. Elenice queria uma vaga na pré-escola para sua caçula, mas ao cadastrá-la percebeu que ela era a 54ª da lista.

Com a vizinha Lindinalva Andrade da Silva aconteceu diferente. A filha dela, Regina, de cinco anos, pela idade deveria ser matriculada na pré-escola, mas a escola quis colocá-la no ciclo correspondente à primeira série porque a menina completa seis anos em abril. Lindinalva disse que se recusou e que prefere retornar outro dia para conversar com a diretora, que no momento estava ausente. “Minha filha não tem idade nem condições de freqüentar a primeira série”, avalia a mãe.

O presidente do Conselho Comunitário Escolar, Ednaldo Antônio da Costa, disse que as 12 salas da escola Rafael Rueda não são mais suficientes. É uma escola nova, tem apenas cinco anos de funcionamento e já passou por duas ampliações – uma sala em 2000 e duas no ano passado.

Agora, avalia Costa, a comunidade precisa de uma nova unidade. A expectativa dele é que a improvisação como escola emergencial no antigo supermercado não dure tanto. Ele contou que para fazer a Rafael Rueda funcionar, os moradores tiveram de invadir o prédio e que durante algum tempo as aulas noturnas eram iluminadas por lamparinas a querosene e, depois, com uma gambiarra feita na rede elétrica.

O prédio foi concluído, recordou, mas as crianças continuavam estudando na escola improvisada no mesmo prédio que funcionou como supermercado e que a prefeitura volta a alugar este ano.

Com capacidade para 900 alunos, a escola municipal Jescelino Reiners, no bairro Novo Horizonte, está com 1,4 mil matrículas. A direção foi obrigada a transformar todos os espaços em sala de aula. A diretora Dalila Batista Lena disse que já fez isso com o laboratório de pesquisas científicas, como a antiga sala de vídeo e TV. Além disso, aumentou de uma média de 30 para 35 a 40 o número de alunos por sala para aqueles que estão acima do segundo ciclo – terceira série.

Dalila disse que a escola seria suficiente para atender o próprio bairro, mas superlotou porque é muito procurada por estudantes de comunidades vizinhas como Planalto, Itamarati, Sol Nascente, Bela Vista.

Para criar salas de pré-escola, a diretora disse que fez uma parceria com um vereador que assumiu o aluguel de suas salas anexas. Na área da escola, justificou Dalila Lena, não há mais espaços para se construir novas salas.

Notícias recentes

Assine nossa newsletter