A secretaria municipal da Educação precisa definir com urgência uma “cara” para o projeto pedagógico da rede escolar.
Quem diz isso não são só os críticos da política municipal do setor, mas a socióloga Maria Aparecida Perez, 47, nova titular da pasta. Depois de 44 dias de indefinição da prefeita Marta Suplicy sobre quem seria o secretário municipal da Educação, o nome saiu ontem.
Cida Perez, como é conhecida na administração, era chefe de gabinete da secretaria desde o ano passado e vinha comandando interinamente a pasta.
A área, prioritária no governo petista, vem enfrentando dificuldade para consolidar uma imagem. Perez é a quarta pessoa a ocupar o cargo em dois anos.
Todos os ex-secretários tiveram gestões curtas. O primeiro, Fernando José de Almeida, ficou pouco mais de um ano, de janeiro de 2001 a fevereiro de 2002. A segunda, Eny Maia, permaneceu por dez meses, entre fevereiro e dezembro do ano passado. O último, Nelio Bizzo, ficou apenas seis dias no cargo, de 3 a 8 de janeiro passado.
A Folha revelou que sua saída aconteceu porque a prefeita vetou mudanças em cargos importantes que pretendia fazer. Bizzo não comenta o episódio.
Pressão por resultados e falta de autonomia são problemas apontados para a dificuldade de manter um nome.
“Eu espero ficar até o final da gestão”, diz Cida Perez, que tem trânsito com a prefeita e goza de confiança total dela.
Linha pedagógica
Uma das maiores críticas de sindicalistas à política educacional é o que eles definem como falta de uma política pedagógica.
A secretaria tem dito que essa política existe, mas Perez coloca como uma de suas prioridades o que chama de “reorientação curricular”. “[É] para trabalhar um pouco mais a parte pedagógica. Queremos dar início a uma série de discussões sobre as diretrizes da secretaria.”
Para melhorar a formulação pedagógica do sistema, Perez diz que precisa reunir informações das próprias escolas. “Para formular diretriz e proposta tem de conhecer o que a rede tem, tem de se basear no que já é produzido pelas escolas e ver como isso pode ser otimizado.”
Ela não diz qual é o seu prazo, mas afirma ter pressa. “Estamos montando esse calendário de atividades, para dar essa cara que as pessoas precisam visualizar. Prefiro não dar a data, mas tem de ser logo, porque não dá para passar o ano e a gente continuar pensando no que fazer. Nós temos pressa em agir nessa área pedagógica.”
Construção
Outros pontos prioritários, segundo ela, são a construção dos CEUs (Centros Educacionais Unificados) e a formação de professores.
Segundo ela, 17 CEUs vão ser entregues até julho. Os cinco primeiros estariam prontos até 31 de maio, oito, em junho e quatro, em julho. A nova secretária diz que haverá 21 CEUs até o final do ano e 45 até a conclusão do governo.
Ainda não há definição de como serão administrados. “Temos de desenhar o modelo de gestão.” Perez não determinou prazo para isso. “Será em breve.”
Ela promete acabar com as escolas de lata até o final de 2004. Neste ano, 24 escolas de lata devem ser fechadas e substituídas. O total existente é de 57.


