Foto: Gildo Lima |
Antes da abertura oficial, a criançada deu início nesta quarat, 26, ao Carnaval de Salvador na maioria das escolas públicas e particulares e em espaços privados, como o Camarote de Daniela Mercury. Até o Pelourinho foi tomado, ontem à tarde, pela garotada, com o ensaio geral do Bloco Buscapé, que este ano vai para a rua, tendo a paz como tema. Fantasiados com produção ou valendo o improviso, a galera menor de idade vai mostrando que o bom carnavalesco começa desde cedo. Para essa turma, nesta festa não tem meia-entrada. Como qualquer folião baiano, entraram no agito de corpo e alma. Informalmente, já é Carnaval, cidade!
Os alunos da Escola Municipal Engelho Velho da Federação, na Baixa da Égua – uma invasão consolidada na Avenida Vasco da Gama –, abriram o Carnaval com consciência. Depois de todo um semestre estudando a história da festa, encararam com desenvoltura e muita animação os confetes, serpentinas, fantasias e máscaras pouco usados nos carnavais atuais. Músicas de época também não foram novidade para eles. Aprenderam as letras na sala de aula. Depois de uma manhã inteira de agito, o baile carnavalesco foi encerrado da melhor forma possível: com o lanche escolar, para muitos a primeira refeição do dia.
Sem violência
Por trás de tudo isso, a lição maior. O que a escola pretendia, além de promover o conhecimento sobre o maior evento popular do mundo, era mostrar que Carnaval se faz sem violência. Para as crianças entre cinco e 12 anos, presentes ao baile, isso, sim, foi novidade. Apesar da pouca idade, meninos e meninas conhecem uma outra realidade. A violência, para eles, não é nada de novo. Como conta Jackson de Jesus, de 11 anos e aluno da 4ªsérie, ele e os coleguinhas estão acostumados a ouvir tiros quase todos os dias e brincar na rua, uma das poucas alternativas de lazer que têm, está cada vez mais difícil. “Quando o tiroteio começa, corremos para casa ou nos abaixamos”, explicou, com absoluta naturalidade.
Mas ontem era um dia diferente. Dentro da escola só havia espaço para a alegria que caracteriza o Carnaval. Não havia nem lugar para preocupações, como acontece quando vão para a rua nos dias de festa. Por isso, muitos garantiram preferir o Carnaval do jeito que conheceram ontem, ao velho estilo dos clubes sociais. “Aqui está melhor do que na rua. Lá, tenho medo de me perder e acontecer alguma coisa ruim”, disse Juliana Teixeira, de 12 anos, mostrando, de certa forma, o resultado das situações de violência que testemunha no dia-a-dia.
Mas, com ou sem medo, há a turma que não abre mão de ver artistas famosos ou de pular ao som do trio elétrico, como Daniela Soares, de 11 anos, que este ano faz questão de encontrar o trio de Ivete Sangalo. “Gostei do Carnaval de salão, mas também gosto da rua”, disse. “Aqui só é melhor porque é tranqüilo e porque coloco fantasia”, explicou, antes de entrar na fila do lanche, que, para muitos deles, foi a melhor parte da festa.



