Publicações infanto-juvenis reforçam discriminação racial

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De 1950 até os dias atuais a representação do negro em livros didáticos e paradidáticos não mudou nada. De maneira estereotipada e preconceituosa, o negro aparece nas publicações em situação social inferior, em que a raça branca é superior à negra, com o negro desempenhando funções subalternas, relacionadas sempre à escravidão.  Isso é o que apontam várias pesquisas que o Ceert – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades analisou em seminário realizado no dia 22 de maio deste ano.

O objetivo do seminário, que contou com a participação do presidente da Undime nacional, Adeum Hilario Sauer e da secretária executiva, Vivian Melcop, era sensibilizar importantes atores do cenário educacional brasileiro, bem como analisar as principais pesquisas que tiveram como foco a representação do negro em publicações para o público infanto-juvenil, evitando que livros como Banzo, Tronco e Senzala das autoras Elzi Nascimento e Elzita Melo Quina, que tratam o negro como cidadão de segunda categoria, animalizado e como único responsável pelo processo de escravidão, sejam usados nas escolas.

Porém, a representação preconceituosa dos negros em livros didáticos é apenas um dos problemas relacionados à questão racial. Segundo o estudo Desigualdade racial no Brasil: evolução das condições de vida na década de 90, realizado por Ricardo Henriques, pesquisador do Ipea, “a distância entre brancos e negros continua intocável. Na última década os índices sociais e econômicos no Brasil melhoraram na educação e na saúde, mas não se alterou a distância entre as raças”.

O pesquisador também aponta que, baseado em dados do IBGE de 1999, a pobreza atinge 38% das crianças brancas e 65% das negras e que o preconceito contra os negros não decorre somente do nível de renda, mas também da discriminação pela cor.

Para  mais informações sobre o assunto colocamos, em nossa biblioteca o resumo e a íntegra da pesquisa realizada pelo Ipea e os dados que o Ceert apresentou no seminário.

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