Professores pedem reativação

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Em 1996, a escola foi fechada para reforma e cerca de 4 mil alunos que cursavam o ensino fundamental e médio foram alocados no antigo prédio do Colégio Objetivo. A expectativa era que, em 1998, com o fim das obras, as aulas fosse retomadas, mas para surpresa deles, o governo do Estado daquela época, havia firmado um contrato com o Instituto Superior de Administração e Economia (Isae) para que, no local, fosse instalado um centro de informática. “A escola foi extinta”, queixam-se os professores, mostrando o convite de inauguração do centro, datado de 2 de julho de 1998.

Para o professor Adamor Liberal, 55, é estranho que uma escola reformada e com capacidade para atender a tantos alunos na área central esteja de portas fechadas, enquanto há carência de vagas. Ele lembra que, em 1996, antes da transferência, o Benjamin Constant recebia cerca de 1,4 mil alunos em cada um dos três turnos. “Não somos contra o curso de informática, mas queremos que ele seja adaptado à grade curricular da escola”, sugere Liberal, mencionando que passou 27 anos contribuindo para a instituição.

A professora Teresinha Joana Vasconcelos Marinho, 52, afirma que o prédio ficou ocioso. Ela avalia que muitos alunos que trabalhavam no Centro tinham oportunidade de estudar à noite, mas depois do remanejamento acredita que alguns tenham desistido devido às dificuldades. Aniceto Barroso, 45, também professor da casa, levanta outra questão. “Durante a reforma, o Estado levou os alunos públicos para um prédio privado e pagou, por isso, R$ 28 mil mensais pelo aluguel. Depois disso, trouxe uma instituição privada para funcionar dentro da escola pública. Há uma inversão de valores.”

Para Aniceto, o Benjamin Constant merecia ser tombado como patrimônio histórico, resguardando sua arquitetura colonial e ser transformado em museu, já que a intenção era acabar com a escola. “Qual é o aluno de escola pública, morando longe do Centro, que vai dispor de dinheiro para condução para vir estudar informática? Os cursos desse tipo teriam que estar nos bairros”, analisa Aniceto.

Uma das professoras mais experientes da casa, Ana Lenize Picanço, 59, conta que o colégio foi dirigido pelas freiras da Congregação Filhas de Santana, em 1894, na época do governador Eduardo Ribeiro. Quando Lenize entrou na escola, era conhecida como irmã Ada, mas hoje é casada. “As freiras deixaram a direção da escola em 1976, quando o Estado assumiu a escola.”

O assessor jurídico da Secretaria Estadual de Educação e Qualidade do Ensino (Seduc) esteve no colégio, ontem de manhã, conversando com os professores para avaliar a situação, informou a secretária executiva da Seduc, Maria José Araújo Calmont. Ela afirmou que a proposta da Seduc é analisar minuciosamente o contrato feito com o Instituto Superior de Administração e Economia (Isae) e ouvir a direção, em virtude do anseio da comunidade.

“Essa resposta devemos ter em 15 dias. Como escola e diante da necessidade que temos, é bem possível que retorne a funcionar novamente o ensino fundamental e médio”, frisou Maria Calmont, destacando que a intenção é essa. De acordo com a secretária, o término do contrato está previsto para 3 de abril deste ano.

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