Plenárias discutem a necessidade de políticas diferenciadas para infância e adolescência

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Durante o painel Pessoas com Deficiências, que compôs o ciclo de debates desta manhã (27) do 1º Seminário Criança Esperança – Igualdade na Diversidade, estiveram em pauta temas como a importância da implementação de políticas de inclusão e o reconhecimento das especificidades humanas. A jornalista Cláudia Werneck, diretora executiva da ONG Escola de Gente, enfatizou a necessidade de inclusão imediata de crianças e adolescentes com deficiências nas escolas de ensino regular. “Escola inclusiva é a escola aberta à comunidade, aberta à diversidade humana.“, ressaltou. A jornalista também relatou a urgência em conscientizar a juventude sobre as diferenças existentes entre as pessoas. “É fácil falar em ética em um grupo homogêneo. O verdadeiro exercício ético acontece em meio à diversidade humana”, declarou.

No painel que discutiu a diferença entre os espaços urbanos e rurais, Maria do Carmo Brandt de Carvalho, do Centro de Estudos em Educação, Cultura e Comunidade, destacou que 70% dos municípios brasileiros têm menos de 21 mil habitantes, o que os coloca como áreas rurais. “A formação dos professores nesses municípios, deficiente perto das atuais exigências do sistema de ensino, é o calcanhar de Aquiles. Principalmente se levarmos em consideração a importância da escolaridade da mãe na qualidade de vida das crianças, tão discutida neste Seminário”, afirmou. Com relação aos centros urbanos, o maior problema, segundo Maria do Carmo, não se refere às políticas básicas, mas à ausência total de segurança e ao estigma que sofrem as populações da periferia. “Na cidade, proteção social inclui, principalmente, mudar a estética das periferias, dos centros de encontro e convivência coletiva”, salientou.

Luciana César Guimarães, do Instituto Sou da Paz, que trabalha no Espaço Criança Esperança aberto no Jardim Ângela, na periferia de São Paulo, destacou que um dos principais objetivos do projeto é construir uma identidade positiva para as crianças do lugar, que já foi considerado um dos mais violentos do mundo. “As crianças que participam de ações do Espaço Criança Esperança, quando entrevistadas, dizem que gostam de praticar alguma atividade esportiva, por exemplo, porque assim ficam afastadas da violência. Não vêem aquilo como um direito delas, algo fundamental para seu desenvolvimento”, afirmou.

No encontro que discutiu as Diferenças Regionais, a diretora do Departamento da Criança e do Adolescente da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Denise Paiva, comentou que a diversidade e a desigualdade são aspectos da realidade brasileira que devem ser tomados como positivos. Mas, segundo a diretora, as leis brasileiras não estão preparadas para atender a essas diferenças. “Não adianta falarmos somente em respeito. Não vamos dar conta sem mudar o aparato legislativo”, disse. Para o prefeito do município de Camaragibe, localizado na região metropolitana do Recife (PE), Paulo Santana (PT-PE), não basta apenas construir uma estrutura de qualidade, é preciso fazer um debate ideológico sobre a forma de gestão. O prefeito expôs o caso da prefeitura de Camaragibe, considerada modelo por especialistas, que adota a política de atenção à infância e adolescência em todas as secretarias.

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