As capitais Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e Cuiabá (MS), além dos municípios de Caxias do Sul (RS), Pilar (PB), Alvorada (RS), Campo Novo do Parecis (MT) e Piracicaba (SP) representam o Brasil numa organização internacional que reúne cidades compromissadas com a melhoria da educação de seus habitantes. Trata-se da Associação Internacional de Cidades Educadoras – Aice, cuja idéia máxima é que a educação não deve ser exclusividade de escolas. As cerca de 250 localidades de todo o mundo que integram o grupo procuram articular seus múltiplos espaços na tentativa de oferecer formação integral à população.
Segundo o secretário de Educação Leopoldo Belmonte Fernandez, Piracicaba passou a fazer parte da Associação Internacional de Cidades Educadoras este ano, e assumiu como objetivo a aprendizagem e a troca de experiência, com a finalidade de oferecer melhor qualidade de vida aos seus habitantes, tendo como base o desafio, que é o investimento na educação do indivíduo de maneira que ele seja capaz de exprimir, afirmar e desenvolver o seu potencial humano, de forma individual, construtiva, criativa, com responsabilidade, diálogo e seriedade.
A cidade educadora é um sistema complexo em evolução constante, que dá prioridade absoluta ao investimento cultural e à formação permanente de sua população. O conceito surgiu no início da década de 90, na Espanha, quando alguns profissionais da educação começaram a perceber que a escola sozinha não tem condições de transmitir todos os conhecimentos e informações do mundo contemporâneo aos seus alunos.
Além das várias instituições sociais, como escola e família, a educação também deve ser competência da cidade. Com esse pensamento, foi lançada em 1990, em Barcelona, sede da Aice, a Carta das Cidades Educadoras, que enumera alguns princípios básicos para definir uma cidade como tal.
O primeiro parágrafo da Carta diz: Todos os habitantes de uma cidade terão o direito de desfrutar, em condições de liberdade e igualdade, dos meios e oportunidade de transformação e entretenimento e desenvolvimento pessoal que a própria cidade oferece. Seguem-se a esse, princípios que norteiam as condições mínimas para que uma cidade se torne educadora. A partir desta Carta, as cidades pertencentes à AICE se reúnem para garantir esses princípios básicos. Elas trabalham em três redes temáticas. São elas: Luta contra o fracasso escolar, Transição escola-trabalho e Educação em valores.
A cidade educadora tem personalidade própria, está integrada no País onde se situa. Parte da concepção que a cidade não é fechada sobre si mesma, mas que mantém relações com o que a rodeia – outros núcleos urbanos do seu território e cidades com características semelhantes de outros países -, com o objetivo de aprender, trocar experiências e, portanto, enriquecer a vida dos seus habitantes.
Desse modo, segundo Leopoldo, a cidade será educadora quando reconhecer, exercer e desenvolver, para além das suas funções tradicionais – econômica, social, política e de prestação de serviços – uma função educadora. Significa assumir o objetivo de formar e promover o desenvolvimento de todos os seus habitantes a começar pelas crianças e pelos jovens, no sentido de educar para a vida, para a família, para a ecologia, para a cidadania.
Por fim, uma cidade será verdadeiramente educadora e também produtiva e distributiva se oferecer todo o seu potencial de forma generosa, deixando-se envolver por todos os seus habitantes e ensinando-os a envolverem-se nela. Cidade envolvida por uma real agenda 21 construída pelo estado e sociedade, por homens e mulheres para um desenvolvimento sustentável permanente.
Como se associar à Aice
Para fazer parte da Associação, é preciso entrar em contato e preencher os requisitos exigidos: aprovação de adesão por parte do governo municipal, cumprimento dos princípios da Carta das Cidades Educadoras, participação nos canais de debate, intercâmbio e colaboração da Aice, divulgação de programas e pagamento de uma cota anual. Algumas das funções das cidades associadas são:
dialogar com as instituições internacionais e os governos e agir em colaboração com estes, na análise das questões relativas à educação estruturada ou não;
influir sobre o processo de tomada de decisões das instituições internacionais e dos governos no que diz respeito aos problemas educativos que apresentem interesse para as Cidades Educadoras;
promover trocas bilaterais, regionais ou temáticas entre as cidades associadas e organizar regularmente encontros internacionais entre Cidades Educadoras;
encorajar a criação, por meio de congressos ou outras atividades da Aice, de quadros teóricos que permitam o aprofundamento do conceito de cidade educadora;
participar e colaborar de modo ativo em projetos ou trocas de experiências com todos os grupos e instituições que tenham interesses comuns;
promover iniciativas que reforçam laços entre as cidades associadas.
Mais informações poderão ser obtidas na página: www.edcities.bcn.es
Programação – Cidades Educadoras
Dia: 30/09 (terça-feira)
8h30 – Credenciamento
9h30 – Atividade Cultural
10h – Abertura: Professor Dr. Cristovam Buarque, Ministro da Educação.
11h – Palestra: Cidades Educadoras, uma proposta para os governos locais, com a Professora Pilar Figueras, presidente da Associação Internacional De Cidades Educadoras – Barcelona/Espanha
13h – Almoço
14h30 – Atividade Cultural
15h – Palestra: Argumentos e estratégias para a construção da cidade educadora, com a Dra. Anália Brarda e Professor Guilhermo A. Rios – Argentina
16h – Intervalo
16h30 – Encontro Nacional Das Delegações De Cidades Educadoras
19h30 – Atividades Culturais.
Dia: 01/10 (quarta-feira)
8h30 – Cidade Educadora: Um espaço dinâmico para a construção democrática e a participação cidadã. Suporte Conceitual e Linhas de ação, com a Professora Dra. Alicia Cabezudo – Rosário/Argentina
9h30 – Intervalo
10h – A Memória da Cidade: História dos seus bairros e identidades em jogo.
Dra. Anália Brarda e Professora Laura Pasquali – Barcelona/Espanha
13h – Almoço
15h – A paz, um direito, um dever, um compromisso, com a Professora Amada Benavides – Colômbia
16h30 – Intervalo
17h – Conclusões e Encaminhamentos, com as Professoras Dra. Pilar Figueiras e Dra. Alicia Cabezudo
18h – Encerramento


