Pior do que a corrupção

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A corrupção significa, antes de mais nada, desperdício de dinheiro público, através de atos criminosos. Mas, às vezes, a conseqüência da roubalheira sai muito mais caro do que a própria roubalheira. É o que está acontecendo com uma medida que pode injetar R$ 4,5 bilhões para a educação brasileira.

Foi aprovado, na Câmara, quase por unanimidade, um novo fundo para financiamento da educação (Fundeb), incluindo mais recursos a creches e ensino médio. O projeto foi para o Senado, onde a investigação sobre corrupção mobiliza os parlamentares. O resultado: o Fundeb está parado, não se sabe quando será votado. O governo está desarticulado e, para piorar, alguns senadores imaginam que a aprovação do fundo significará mais força para Lula, na sua luta pela reeleição.

Se passar a chance de aprovação da medida este ano, sabe-se lá o que acontecerá quando tiver sido renovado o Congresso. Mais uma vez, o que vemos é que estamos longe, muito longe, de cultuar da educação.  Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às terças-feiras.

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