O Brasil Indígena e a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

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Quando o primeiro homem branco chegou nas terras indígenas do Brasil, mesmo não sabendo, os portugueses foram recepcionados por mais de mil povos e mais de cinco milhões de pessoas, uma população cinco vezes maior que a de Portugal naquela época.

No início de um novo século e de um novo governo que venceu uma eleição onde o sonho deveria vencer o medo, diversas lideranças indígenas mais jovens e tradicionais, se organizam com uma visão política mais ampla, respaldada por experiências adquiridas nos grandes debates nas sociedades não indígenas mais organizadas que começou com a UNI – União das Nações Indígenas em 1977 em plena ditadura militar e no cenário internacional em 1991, quando a ONU se preparava para realizar a ECO/92 e o Comitê Intertribal (ITC) planejou e realizou a grande Conferência Mundial dos Povos Indígenas sobre Território, Meio Ambiente e Desenvolvimento, onde foi escrito a Declaração da Kari-Oca e a Carta da Terra.

Nesta Semana a Seppir – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, graças à sensibilidade da Ministra e professora negra, Matilde Ribeiro, as lideranças indígenas participarão do maior evento do governo brasileiro para a inclusão dos povos indígenas nos temas de afirmação e igualdade racial.

As metas do milênio estabelecidas pela ONU tornam-se mais um desafio que os povos indígenas se vêm na obrigação de galgar e consolidar, começando pelo exemplo de diversidade cultural e tradição, com mais de 230 povos e 180 línguas vivas.

Nesse sentido, igualdade racial para os povos indígenas não poderá mais ser tratada apenas como uma alusão de misericórdia ou consideração paralela, mas de inclusão até mesmo nos setores de governo, a começar pela própria Seppir e pela Funai. Para isso basta que se adotem as metas elaboradas pelas lideranças indígenas presentes, jovens, espirituais, mulheres e guerreiros, caso contrário, será mais um evento voltado para os índios, mas feitos pelos homens brancos especialistas em índios… Um formato já superado pelos próprios líderes indígenas nas mesas de negociação da ONU, OEA, Ompi, Banco Mundial, Banco Interamericano, etc…

Por outro lado, compete aos líderes indígenas o compromisso maior com os interesses de seus povos perante o mundo do homem branco que insiste em ver na diversidade, divisões e incapacidades de unidades para seguir dominando. Somos diferentes, mas podemos ser unidos, principalmente nas dificuldades e nos desafios, identificando bens e inimigos comuns. Nós povos indígenas temos o dever de superar a discriminação com ações afirmativas e coletivas, afinal, chegamos vivos ao século XXI e o que soubermos semear a partir desse encontro, por mínimo que seja, será uma planta com formato educativo, elucidativo e criador de um Brasil, onde não seremos partes do passado, mas do futuro, afinal somos detentores de mais de 13% das terras brasileiras, com águas potáveis, minerais estratégicos como o urânio, o nióbio e a biodiversidade para sarar a doença da humanidade, inclusive aquelas geradas pela manipulação errada dos cientistas e suas loucuras! Hora de retratar o Brasil Indígena.

Marcos Terena – fundador do 1º movimento indígena no Brasil, em homenagem a Ângelo Kretan, Francisco Kaingang, Cristiano Karipuna, Idjarruri Karajá, Marta Guarani, Marçal de Souza, Domingos Veríssimo, Rodrigão Xacriabá, Hibes Wassú, Krumari Txucarramãe, Prepori Kajabi, Mario Juruna, Kremuro Txucarramãe, Darcy Ribeiro, Betinho, Brizola, Xará, etc.

Brasília/ DF, 29, 30 de junho e 01 de julho de 2005, Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial

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