A recessão no ano passado não fez crescer o trabalho infantil, mas País ainda convive com 5.071.348 crianças de 5 a 17 anos trabalhando, o que representa 11,7% da população nessa faixa etária. Em 2002, eram 12,6%. Em números absolutos, a queda no trabalho infantil foi de 6,75%, enquanto em 2002, a redução foi de apenas 0,8%.
“Foi uma boa notícia que a pesquisa trouxe. Diante da queda de renda no ano, quando membros secundários das famílias entram no mercado, esperava-se que esse indicador pudesse ter uma piora em 2003. Aconteceu o contrário, a queda foi muito mais intensa que em 2002” afirmou Lauro Ramos, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo o economista, a queda pequena em 2002 talvez já tivesse captado a crise no mercado de trabalho.
“Não podemos esquecer que em setembro de 2003, a situação da economia brasileira já começava a melhorar” disse Ramos. A redução foi maior entre as crianças de 5 a 9 anos. Mesmo com a redução de 25,4%, ainda há 208.931 crianças nessa faixa etária trabalhando no Brasil. Entre 10 e 14 anos, a redução foi de 9,53%; e de 15 a 17 anos, a queda ficou em 3,58%.
O trabalho infantil atinge mais os meninos: são 15,2% de 5 a 17 anos que estão no trabalho. Nas crianças menores, o trabalho agrícola absorve 74,6% da população entre 5 e 9 anos.
Ministério do Trabalho ainda considera grave a situação
O secretário-executivo do Ministério do Trabalho, Alencar Ferreira, disse que a queda de 1,7% para 1,3% na proporção de crianças de 5 a 9 anos que trabalham no país é uma boa notícia, mas ele considera que a situação ainda é muito grave. Pelos números do Ministério do Trabalho, existem hoje mais de dois milhões de crianças entre 5 e 14 anos que trabalham em vez de estudar.
“O trabalho infantil ainda continua em um nível muito elevado. Mas a boa notícia é que os índices estão caindo. O governo está fazendo um trabalho coordenado com diversos ministérios através do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET) para que haja melhoria”.


