Pelo menos 15 escolas estaduais sofrem com o déficit de carteiras no Estado de Mato Grosso do Sul, segundo admitiu, ontem, 23, o secretário estadual de Educação, Hélio de Lima. No entanto, durante visita à Escola Estadual Professora Brasilina Ferraz Mantero, no Jardim Leblon, ele acusou os diretores de estarem criando problema com fins políticos e de má gerenciamento das unidades escolares.
Lima admitiu que ocorreu atraso na entrega dos conjuntos escolares, apesar de o início das aulas ter sido prorrogado de 5 para 17 de fevereiro. O secretário ressaltou que 200 carteiras estão sendo entregues diariamente para amenizar o problema. O maior atraso na reforma ocorreu no convênio firmado com o sistema penitenciário, que não entregou nenhuma das 1,1 mil carteiras que deverão ser reformadas. No total, 5 mil carteiras estão sendo reformadas.
Ele acusou os diretores de estarem provocando a situação e duvidou da falta de carteiras em alguns estabelecimentos. Lima disse que a Secretaria de Educação poderá abrir sindicância, em alguns casos, para apurar os casos, com expectativa de advertir e até cassar o cargo do diretor e convocar nova eleição. No fim, recuou, ressaltando que trabalha com o diálogo e só tomará essas medidas em casos extremos.
Redução de gastos
Lima reafirmou que a determinação é reduzir os gastos de custeio. A Secretaria de Educação vem reduzindo o número de anexos e a contratação de professores sem concurso, o que está causando a superlotação das salas de aula. Atualmente, o Governo gasta cerca de R$ 800 mil por mês com a locação de 218 anexos no Estado.
Outra medida é reduzir em 41% o número de docentes convocados, de 7,6 mil para 4,5 mil. Foram contratados 580 professores aprovados em concurso. Outros aprovados poderão ser chamados em abril, mas a decisão depende de receita do Governo. A rede pública conta com 331 mil estudantes. Hélio de Lima negou que as medidas estão prejudicando a qualidade do ensino. Ele disse que a superlotação das salas, com até mais de 50 alunos, é resultado da má gestão do estabelecimento de ensino. O secretário garante que só estão sendo juntadas as turmas com menos de 20 alunos. “Existem salas com 13 estudantes”, disse.
Ele também disse que os diretores poderão aplicar os recursos do Plano Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Ministério da Educação, na melhoria do estabelecimento e na reforma das carteiras. “É tudo uma questão de administração. Nós queremos trabalhar junto com os diretores”, afirmou.


