Movimentos sociais x reforma universitária

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A iniciativa é boa, mas o MEC pode esperar, que vem chumbo grosso. Diversos movimentos sociais assinaram dia 18 de outubro um acordo de participação no debate sobre a redação final do anteprojeto de lei da reforma universitária. “A iniciativa é inédita em qualquer governo, mas isso não quer dizer que vamos concordar com tudo o que for proposto”, diz João Felício, secretário-geral da Central Única de Trabalhadores, a CUT.

Everton dos Santos Rodrigues, da Central dos Movimentos  Populares, CMP, acha que a democratização do ensino tem de partir de uma discussão com todas as camadas da população, e não apenas com algumas instituições ou movimentos: “Isso precisa ser feito abertamente com toda a sociedade, porque envolve o futuro dela”. Clarice Santos, coordenadora do setor de educação do MST, lembra que a maneira como os cursos são ministrados também tem de ser revista. “A maioria das universidades tem projetos pedagógicos orientados para  atender o mercado; por exemplo, a agronomia quer formar um profissional que o mercado leve para o grande latifúndio. Eles ensinam a tecnologia que vão tornar os agricultores dependentes.”

Como não poderia deixar de ser, os novos “parceiros” do MEC prometem botar o dedo na ferida da política econômica, que, segundo eles, impede que haja uma reforma universitária ampla. Sem rodeios, Clarice Santos alerta: “Desafiamos o governo a propor uma reforma que caminhe para o aspecto social”.

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