O ministro Cristovam Buarque propôs ontem, 4, uma aliança ibero-americana pela educação. “É injustificável que cheguemos a 200 anos como países independentes, sem termos atingidos determinadas metas educacionais, que tantos países europeus, asiáticos e mesmo alguns africanos já alcançaram”, justificou o ministro, durante abertura da XIII Conferência Ibero-Americana, que ocorre na cidade boliviana de Tarija. A integração entre os países ibero-americanos foi promovida apenas em relação à economia, observou Cristovam Buarque.
Segundo o ministro, a cooperação poderá criar bases para formar um sistema de apoio científico, tecnológico, pedagógico e financeiro aos projetos educacionais. Cristovam pretende acabar com o analfabetismo de jovens e adultos brasileiros – cerca de 20 milhões – antes do prazo de dez anos estabelecido pela Unesco, em janeiro, para alfabetizar cerca de 800 milhões de pessoas em todo mundo. Além disso, Buarque defende um modelo de educação para a América Latina que inclua todas as crianças na escola, até a conclusão do ensino médio, pré-escola, ampliação das vagas para o ensino médio e qualificação e valorização do professor.
Os representantes dos 23 países participantes da conferência estão debatendo ainda a proposta do ministro da Educação argentino, Daniel Filmus, de trocar uma parte da dívida externa por investimentos educacionais.
Levantamentos mostram que os países latino-americanos pagam, por ano, aproximadamente US$ 100 bilhões de juros da dívida e investem cerca de US$ 30 bilhões em educação. Se houver uma redução de 10% dos juros, será possível elevar em 30% os gastos educacionais.
O Programa Bolsa-Escola foi outro ponto destacado por Cristovam Buarque no encontro. Para ele, a iniciativa implantada pelo Brasil, México e outros países é uma alternativa capaz de incluir e manter na escola as 17 milhões de crianças latino-americanas que ainda trabalham. A implantação da bolsa-escola no continente foi uma das recomendações da X Conferência Ibero-Americana de chefes de Estado e de Governo, realizada no Panamá, em 2000.


