O Ministério da Educação está avaliando a possibilidade de ampliar em um ano o ensino médio. A proposta seria justificada para possibilitar que o jovem possa ser melhor preparado para entrar na faculdade e no mercado de trabalho. No Ceará, educadores, no entanto, divergem da idéia. Entendem que quantidade, sem qualidade do ensino, em nada resolveria a questão educacional.
A secretária de Educação Básica do Estado, Sofia Lerche, diz que, em princípio, como proposta, a ampliação do ensino médio pode ser interessante, mas há alguns agravantes, que segundo ela, devem ser avaliados caso a idéia saia do papel para a execução.
Observa que com a universalização da matrícula, por exemplo, o número de alunos vem crescendo a cada ano de forma geométrica, devendo praticamente dobrar entre 2006 a 2007, com referência aos 337 mil atuais.
“Incluir mais um ano representaria um aumento de 20% do número de professores, além de aumento de despesas para ampliação, construção de escolar e capacitação de pessoal. Não sei se isso garantiria uma escola de melhor qualidade”, diz.
Para a secretária, uma saída melhor seria a ampliação da jornada escolar, ampliando a permanência do aluno na Escola. “Nos Estados Unidos e Europa o aluno permanece até sete horas na escola, no Brasil mal chega as quatro horas”, observa.
Razoável – O secretário de Educação do Município, professor Paulo Petrola diz que o tempo atual do ensino médio e fundamental de 11 anos é razoável, sem falar no ensino infantil e superior.
Para ele, a educação melhorou e poderá melhorar mais, com os novos projetos e propostas que deverão ser colocadas em execução pelo MEC.
A presidente do Sindicato APEOC, Maria da Penha, entende que um ano a mais no ensino médio, não vai acrescentar nada ao aluno, se não houver qualificação dos professores, melhoria salarial e das condições físicas das escolas. Para ela, o poder público tem que dar mais atenção para o alicerce da educação – o ensino infantil, que segundo ela, está abandonado.
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Educação Infantil e Ensino Fundamental e Médio e de Educação Superior de Fortaleza (Sinepe), professor Aírton de Almeida Oliveira, disse que para dar uma opinião formal precisaria saber do MEC o que esse ano a mais traria de novo para o estudante. “Uma das grandes preocupações do Sindicato é se essa ampliação seria só de forma linear, sem acrescentar nada. Caso traga um aumento de qualidade será louvável”.
Na sua visão, mais um ano no ensino médio com a qualidade permanecendo a mesma, só vai acarretar mais custo, principalmente nas escolas particulares. “Outro fator é que atualmente a maioria dos alunos que chegam a universidade, principalmente nos cursos mais disputados, são das escolas particulares. Acrescentar mais um ano no ensino médio, não seria aumentar esse fosso entre a escola particular e pública”, indagou.


