Minas contra o anafalbetismo

Picture of undime

undime

A comunidade do Jardim Vitória, na região Nordeste de Belo Horizonte, se antecipou à convocação do ministro Cristovam Buarque e se prepara para alfabetizar seus idosos a partir de fevereiro. Cientes de que só a boa vontade não será capaz de reverter o quadro, os voluntários pediram apoio da PUC Minas para trabalhar com material apropriado para adultos. As aulas serão aos sábados e domingos, dias escolhidos pelos idosos sondados pelo projeto. Mas o grupo não estipula prazos para começar a colher os resultados. Cada um tem uma história de vida diferente. Não dá para esperar resultados homogêneos , avalia a assessora parlamentar, Kelly Regina Coelho da Cruz, de 25 anos.

A motivação para Kelly Coelho trocar a diversão dos finais de semana pelo trabalho voluntário vem de casa. Neta de Maria Coelho da Cruz, de 74 anos, ela cresceu vendo os contratempos da avó analfabeta, que precisa de companhia toda vez que quer sair de casa, com medo de ser perder. Só sei me localizar reparando na fisionomia das casas, das ruas, vendo a localização dos postes e das placas. Por isso, fica difícil ir aos lugares que não conheço , conta.

Maria nasceu no vilarejo de Pedra Branca, município de Ferros, a 180 quilômetros de Belo Horizonte. E sofreu da sina de filha mais velha. A primeira menina nunca ia para a escola porque tinha que ajudar a mãe a cuidar das outras crianças. Aprendi só a assinar o nome , revela. Iracema Vidal do Nascimento, de 53, será colega de classe de Maria e tem esperança de, dessa vez, aprender a ler. Ela já passou um ano em um curso noturno de alfabetização, mas só aprendeu a escrever o primeiro nome. Largou a escola no dia em que um tiroteio na região a deixou com medo de sair de casa à noite. Por isso que fica difícil colocar um tempo para o analfabeto aprender a ler. A gente não é preguiçoso. É porque tem preocupação demais e a cabeça já está fraca , acredita Iracema.

Assine nossa newsletter