MEC escolherá cem cidades para implantar plano para ensino básico

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O Ministro da Educação, Cristovam Buarque, anunciou quarta-feira (25), em Paris, durante uma conferência na Ehess (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais), que pretende selecionar cem cidades brasileiras nas quais implementará um plano de otimização do ensino básico.

A idéia é que, em um período de dois a três anos, as escolas primárias desses municípios consigam, por meio de um financiamento especial e um apoio político de todas as lideranças locais, atingir algumas das metas educacionais projetadas pelo MEC (Ministério da Educação) em quinze anos para dois ou três.

“Só o bolsa-escola não é suficiente para manter a criança na escola. Se a escola for ruim, a criança abandona. Para melhorar a qualidade de todas elas, vamos demorar cerca de quinze anos. Com esse projeto, vou mostrar como se faz uma boa escola em dois ou três anos”, afirmou.

Critérios

O Ministro indicou quatro critérios que irão nortear a seleção final das cem cidades escolhidas: população inferior a 30 mil habitantes, baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o prefeito em gestão terá que possuir um histórico de cuidado com a criança e a educação e, por último, e mais difícil, segundo o Ministro, uma aliança entre todas as lideranças políticas que garanta a continuidade do projeto no caso de uma possível alternância de poder após as eleições municipais.

“Todos os vereadores dessas cidades terão de deixar claro, por escrito, que irão apoiar o projeto. Se só um recusar, a cidade ficará de fora e o vereador que assuma a responsabilidade”, disse.

A assessoria de imprensa do ministro afirmou que as cidades já estão começando a ser cadastradas, mas ainda não há prazo para a divulgação final. Uma comissão do MEC está no Piauí, onde realiza um levantamento sobre os municípios indicados no Estado.

Apoio

A medida, segundo Cristovam, também visa a contribuir para a conscientização da necessidade de se criar um pacto nacional pela educação.

Questionado sobre como melhorar a vida do professor e a qualidade das escolas, o Ministro aproveitou para reclamar da falta de apoio para os ensinos fundamental e médio. “Ensino básico não tem patrocinador. Só me pedem para aumentar mais vagas nas universidades, quando na verdade o ideal é melhorar a escola pública.”

Cristovam disse lamentar que, como Ministro, seja obrigado a gastar 90% de seu tempo com o ensino universitário. Segundo ele, antes de assumir a pasta, chegou a sugerir que o MEC fosse dividido em dois: uma parte dedicada ao ensino superior e outra aos ensinos básico e médio.

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