“Abaixo a discriminação e viva a inclusão”. Esta é a lição do livro Quem é igual a quem. Lançado no último sábado, conta a história das mudanças no cotidiano de uma escola com a chegada de um aluno com síndrome de Down. O texto aborda, de forma instigante e bem-humorada, as mudanças na comunidade da escola quando, ao confrontar-se com a discriminação ao novato, todos se deparam com suas próprias diferenças e repensam seus valores. O lançamento ocorreu paralelo à última apresentação deste ano da peça de mesmo nome que deu origem ao livro e possui em seu elenco duas crianças especiais.
O objetivo é chamar a atenção da sociedade para a inclusão dos portadores da síndrome de Down na escola e no meio social. Para isso, é preciso que a escola seja um lugar onde as diferenças sejam reconhecidas e valorizadas e haja respeito ao direito de todos à educação. De acordo com a presidente da ONG Ser Down, Lívia Borges, uma das grandes preocupações é não deixar que o processo de inclusão transforme a escola em uma escola especial. Por isso, defende que estes alunos devem ser acompanhados da mesma forma que os outros. Afinal, segundo ela, com síndrome ou sem síndrome, cada um possui um ritmo de aprendizado diferente.
Na escola inclusiva cada aluno aprende no seu tempo e no seu jeito próprio de aprender. Em todos os níveis, essa escola deve respeitar essas diferenças ao mesmo tempo em que desenvolve competências, habilidades e talentos de cada aluno. Através do projeto Inclusão Plena das pessoas com síndrome de Down, uma parceria com a secretaria municipal de Educação, professores da rede municipal de ensino são capacitados por uma equipe multidisciplinar para trabalharem com a educação inclusiva nas escolas públicas. O objetivo é melhorar a qualidade do ensino das escolas regulares, de modo que possam atender as diferenças de todos os alunos.
Só no ano passado foram capacitados 72 docentes. A previsão é de que ainda este ano eles somem 277. “Das 275 escolas municipais de Salvador já conseguimos que 5% delas estejam aptas para trabalhar com estes alunos. Apostamos neste projeto porque temos certeza de que estas crianças têm plena capacidade de aprendizado”, falou o conselheiro da ONG Ser Down, Francisco Alves. No Brasil, calcula-se que a cada 600 nascimentos, há um caso de síndrome de down.


