Grupos de professores de diversas etnias de sete estados da Amazônia reúnem-se, na sexta, 28/3, em Brasília, com o Ministro da Educação, Cristovam Buarque, para pedir a aplicação da Resolução 3, que garante o reconhecimento da categoria de escola índigena. Também participa da audiência, a procuradora do Ministério Público Federal Ieda Hope Lamaison.
As reivindicações dos índios foram listadas em um relatório elaborado na 3º Assembléia Geral do Conselho dos Professores Indígenas da Amazônia (Copiam) encerrado na última quinta, em Manaus.
O encontro reuniu 150 professores indígenas de toda a amazônia e os problemas referentes a profissão relacionados por eles serviram de base para o relatório levado pela representante do MPF no evento. A assembléia aconteceu do dia 25 até ontem, no Centro Maromba, no bairro da Chapada, Zona Centro-Sul e discutiu, entre outros assuntos a situação escolar indígena em todos os níveis.
De acordo com o coordenador do Copiam, Fausto da Silva Mandulão, professores dos estados do Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Pará e Mato Grosso apresentaram os mesmos problemas, o não cumprimento da Resolução 3 que contempla o reconhecimento da categoria da escola indígena. O problema incluia também as medidas que deveriam ser tomadas para garantir a formação profissional do professor e o acesso diferenciado à universidade por meio de processo seletivo específico cuja realidade está bem longe do ideal.
O coordenador atribuiu o problema à falta de comprometimento dos governos federais, estaduais e municipais e relatou que todas as dificuldades expostas no evento foram relacionadas para a representante do Ministério Público Federal no evento, a procuradora da 6ª Câmara do Rio Grande do Sul relativa às causas minoritárias, Ieda Lamaison. O relatório inclui ainda sugestões e encaminhamentos para solução dos problemas citados.
Na parte do encontro que discutiu a problemática do acesso dos professores indígenas ao ensino superior foram relatadas as experiências referentes aos programas especiais criados e implantados pela Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e Universidade Federal de Roraima (EFRR), além de outras iniciativas como o curso sequêncial da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
O encontro também serviu para uma troca de informações entre os profissionais da educação indígena que puderam elaborar dinâmicas e metodologias de trabalho mais eficazes para o processo educacional. O coordenador avaliou o encontro como proveitoso, explicando que o papel do professor indígena dentro da comunidade era de fundamental importância. Ele detalhou considerar o professor como um tradutor que decodifica a realidade exterior apresentando-a da maneira mais viável para os integrantes da aldeia.
Fausto Mandulão, que é de origem Macuxi, disse estar otimista em relação a audiência de hoje e espera melhorias para a educação indígena em toda a amazônia. “Tenho certeza que o Ministro, ao ter ciência da nossa realidade, vai se preocupar e tomar providências em relação as nossas dificuldades no sentido de melhorar a qualidade do nosso ensino”, disse.


