Grupo de trabalho começa a discutir a educação superior indígena

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O acesso dos povos indígenas à educação superior, como e onde ela será oferecida, como será construída, quais suas caraterísticas são temas que serão discutidos pelo Grupo de Trabalho da Educação Superior Indígena nos dias 22, 23 e 24 deste mês, na Sala de Atos do Ministério da Educação.

Constituído pela Portaria nº 2.947, de 21 de outubro de 2003, o grupo é composto por 24 membros, dentre eles representantes das secretarias de Educação Fundamental, Média e Superior, da Coordenação da Educação Escolar Indígena do MEC, da Funai, da Comissão Nacional de Professores Indígenas (CNPI), de lideranças indígenas, universidades e ONGs. Sua finalidade é propor a essas populações alternativas de acesso a uma educação superior multicultural e diferenciada que leve em conta as riquezas dos 320 povos que habitam o Brasil e de suas 180 línguas maternas.

Esse trabalho, explica Kleber Gesteira, coordenador da Educação Escolar Indígena do MEC, será feito em parceria com as instituições de ensino superior que quiserem participar da temática indígena e da troca de experiências em diferentes áreas: os conhecimentos indígenas das ervas medicinais, a forma de tratar e explorar a floresta, usar a água; a cultura ancestral dos povos, sua arte, o artesanato, as danças, as línguas; a vida em comunidade, a educação dos jovens. As universidades podem oferecer seus conhecimentos dessas e de outras áreas, os métodos de pesquisa de campo e de laboratório.

Outras tarefas do grupo de trabalho são: oferecer uma solução para os 1.200 estudantes indígenas matriculados em faculdades particulares que enfrentam problemas para pagar as mensalidades; e formar, nos próximos quatro anos, pelo menos 2.800 professores indígenas para atender às demandas da educação média e profissional nas aldeias.

A reunião, de acordo com o assessor do secretário de Educação Superior e coordenador do grupo de trabalho, Cristiano Paiva, também vai preparar documentos para levar ao seminário Universidade XXI, que será realizado em Brasília nos dias 25 e 26 de novembro, e para debater nas comunidades indígenas. O grupo tem 90 dias para executar a tarefa, prazo que termina em 21 de janeiro de 2004.

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