O relatório do processo seletivo de 2002 da Universidade Federal de Goiás (UFG) acaba de ser divulgado e traz uma boa notícia para as escolas públicas: nada menos que 53,4%, ou seja, 1.614 aprovados naquele vestibular, estudaram somente nesses estabelecimentos ou fizeram neles a maior parte dos seus estudos. O relatório está sendo divulgado com oito meses de atraso. Só ontem o Centro de Seleção da UFG encaminhou o levantamento às pró-reitorias e departamentos da instituição. Presidente do órgão, Carlos Alberto Tanezini explicou que a demora foi provocada pela greve das universidades.
O curso de Educação Física foi o que mais aprovou estudantes oriundos da rede oficial de ensino – segundo o relatório, 44,3% estudaram somente em estabelecimentos públicos e 27,5% cumpriram a maior parte da sua formação educacional em unidades mantidas pelo governo. Mas os porcentuais de participação de alunos de escolas públicas caem quando os cursos são os de Medicina, Veterinária, Agronomia, Odontologia e Farmácia – apenas 13,8% dos classificados se prepararam só em escolas públicas e 16,8% tiveram a maior parte das aulas na rede oficial.
Trabalho
A origem dos alunos, associada a outras estatísticas do relatório, demonstra que o estudante que hoje cursa o 2º ano na UFG precisa trabalhar para se manter no ensino superior. Na ocasião do levantamento, 60,25% declararam que não trabalhavam, mas ao serem questionados sobre como garantiriam sua permanência na universidade, 61,74% dos aprovados disseram que seria através do próprio esforço. Somente 27,33% afirmaram que estavam ancorados na renda dos pais. Nada menos que 1.684 classificados disseram que o serviço complementar que mais desejavam obter seria a bolsa de trabalho.
O cursinho vem se tornando artigo de luxo para quem presta o vestibular da UFG. Dos 3.035 aprovados, 1.654 não passaram por ele. Outros 445 fizeram um semestre de cursinho e 392 ficaram mais de um ano num desses estabelecimentos. A explicação para essa debandada pode ser a renda familiar: 23,52% disseram que ela varia de R$ 901,00 a R$ 1.800,00; 20,5% apontaram que sobrevivem com até R$ 540,00 mensais e apenas 18,68% das famílias dos classificados na UFG em 2002 ganham entre R$ 1.801,00 e R$ 3.600,00.
Para 1.120 candidatos aprovados no vestibular 2002, a situação se agrava pelo fato de a família morar no interior e eles terem de arcar com os custos de moradia, já que as vagas oferecidas nas Casas do Estudante Universitário não conseguem prover a demanda. Quanto ao nível de instrução do pai ou responsável, boa parte – 22,29% – conta apenas como o ensino fundamental incompleto. Outros 21,8% concluíram o ensino médio e 19,34% têm diploma superior.
Apesar de o Centro de Seleção ter concedido 3.271 isenções de taxas, entre totais e parciais, somente 1.561 dessas solicitações foram efetivamente transformadas em inscrições. “É importante salientar que, destes, 8,96% foram classificados no processo seletivo de 2002”, ressalta o relatório. Em termos de faixa etária, 23,75% dos aprovados contavam com até 17 anos quando passaram no vestibular; 21,76% tinham 18 anos; e 19,21% contavam entre 20 e 22 anos.


