Estrutura, cobertura da demanda, recursos humanos, material escolar e merenda. Os cinco eixos analisados pela Comissão de Defesa do Direito à Educação, em visita a duas escolas ontem de manhã, no Álvaro Weyne, mostraram situações opostas para uma mesma realidade: uma escola em obras, com aulas por começar, e outra em atividade, com os estudantes ajudando na manutenção do local, apesar dos problemas, mas com o apoio da comunidade. Na Escola Municipal Maria Roseli de Lima Mesquita, 314 alunos de 5ª à 8ª série estão sem estudar. Isso porque cinco salas estão sendo construídas sobre outras, antigas. Com a obra, nem veteranos nem novatos, podem assistir às aulas. Os estudantes da 1ª à 4ª série estão indo à aula normalmente. Mas, como a obra fica ao lado da quadra, o espaço de lazer e esporte está interditado, abrigando o material de construção. Mesmo com o acesso proibido, os alunos não deixam de brincar entre pedaços de madeira, tijolos e telhas. Mas, além do risco, ainda há o incômodo do barulho de construção para as crianças em aula. São 21 homens trabalhando na obra. “Aqui tem jogos, vídeo, atividade com as professoras, mas, no intervalo, as crianças fogem. E a gente não pode prender. Mas nunca ninguém se machucou, ficou ferido”, justifica a diretora, Hila Maria Bernardes. Segundo ela, as salas do andar térreo, as antigas, serão liberadas no próximo dia 20 e, as novas, em março. Mas, de acordo com o engenheiro da obra, Marcos Barbosa, a previsão de término da obra é 30 dias. “Se a chuva não atrapalhar”, admite. De acordo com o coordenador da Comissão, Anízio Melo, informações das duas escolas farão parte do relatório 2003 de avaliação. Entre os dias 19 e 21 próximos, Sérgio Adad, do Relátorio do Direito à Educação, estará em Fortaleza, para acompanhar algumas visitas. Ele apresentará as informações e outras denúncias à Organização das Nações Unidas. “O problema é que o Estado está saindo do ensino fundamental e o Município não tem condições de absorver a demanda”, analisa Anízio. No Município, existem 153 escolas patrimoniais e 252 anexos; e, no Estado, 220 patrimoniais e 20 anexos. A próxima visita, segunda-feira, será ao Anexo Paulo Freire, no Henrique Jorge, onde 1.500 alunos estão sem estudar devido à precária situação da unidade. SERVIÇO: Denúncias podem ser feitas pelo telefone 0800-857777. |
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