Classes cheias, falta de livros ou biblioteca da escola fechada. Todos esses problemas ficam menores se comparados com a falta de motivação dos professores na sala de aula, afirmam alunos da rede estadual. “O professor parece uma máquina. Só faz um esquema simples na lousa, não aceita intervenção”, disse Helson Teixeira, 19, formado em 2005 em uma escola da Pompéia (zona oeste de SP). “O cara ganha mal, não tem nem estímulo nem tempo para preparar uma aula.” Helson conta que chegou a se assustar quando soube que em seu histórico escolar constava nota A em física.
“É uma farsa total, não sabia nada de física.” “Você só pega algumas idéias vagas nas aulas”, afirmou Felipe Dias, 19, que estudava na mesma escola que Helson. Para isso, andava 40 minutos de ônibus desde a sua casa, em Perus. “A escola tem uma boa fama. Mesmo assim, é ruim.” Ambos agora estão num cursinho popular.
Professor de química em três escolas da região de Santo Amaro (zona sul de SP), Roberto (nome fictício) dá razão para as reclamações dos alunos. Ele leciona de manhã, tarde e noite. “Tenho 26 turmas. Não dá nem para lembrar os nomes dos alunos. E só sobra tempo para preparar aulas aos sábados.” Segundo ele, o que os dados do Saeb mostraram, que muitos alunos do ensino médio têm conhecimento equivalente ao fundamental, é percebido na prática. “Tenho formando que nem sabe fazer regra de três.”
Reflexão – Para a coordenadora da ONG Ação Educativa, Vera Masagão, os professores têm de ganhar mais para não precisar fazer até três jornadas. “Por outro lado, acho que cabe uma reflexão por parte dos professores que desistiram de tentar ensinar.”Professores e funcionários do Estado estão em campanha salarial e ameaçam greve. Eles reivindicam reajuste de 35,7%. O piso hoje é de R$ 915 (24 h semanais). O governo Serra alega que a pauta elevaria a folha de pagamento dos atuais R$ 8,3 bilhões para R$ 14,4 bilhões, valor maior do que o Orçamento da secretaria, de R$ 12 bilhões.
Fonte: Folha de S. Paulo 01/10


