Seguindo modelo implantado na periferia da capital paulista, rede municipal de ensino vai receber laboratórios de informática para garantir acesso à internet à população carente
Um projeto de inclusão social implantado na periferia da capital paulista será adotado em Juiz de Fora, na Zona da Mata, a 261 quilômetros de Belo Horizonte. O programa, que consiste em levar crianças da periferia para laboratórios de informática, onde têm a oportunidade de construir sites sobre o local em que vivem, será usado em Juiz de Fora para criar alternativas com relação à informática educativa na rede municipal de ensino. Segundo Márcio Fagundes, chefe do Departamento de Informação Continuada da Gerência de Educação Básica do município, a intenção é usar a tecnologia como objeto social do conhecimento.
O programa de inclusão digital será lançado oficialmente no dia 29 de janeiro, com a presença do técnico Cleodon Silva, autor do projeto em São Paulo. Ele vai à cidade acompanhado de seis adolescentes do Instituto Lidas, organização não-governamental que atende os jovens da periferia paulista na área de informática. Em Juiz de Fora, o projeto vai começar na região Leste da cidade, atingindo três escolas na região.
O laboratório de informática, entretanto, vai funcionar em apenas uma delas, na Escola Municipal Raymundo Hargreaves, que será uma espécie de pólo aberto à comunidade local. A Diretoria de Planejamento e Gestão Estratégica já selecionou 50 adolescentes no bairro Linhares que serão treinados e capacitados para iniciar o projeto piloto. Segundo Fagundes, os jovens vão buscar informações junto à população e pesquisar o próprio espaço em que vivem para alimentar as páginas na internet.
“A idéia é criar o cidadão através do conhecimento do espaço físico e social em que habita”, explicou Fagundes. De acordo com ele, 32 das 100 escolas municipais de Juiz de Fora já têm laboratórios de informática. No mês que vem, 10 novas escolas serão equipadas com 12 computadores cada uma. O objetivo é estender o programa para toda a cidade. “Mas isto ainda vai depender de como o projeto se desenvolverá”, afirmou. Para o gerente de Educação Básica da cidade, Roberto Curvelo, o programa é importante porque as novas tecnologias de comunicação e informação devem ser compartilhadas. “Caso contrário, estaremos correndo o risco de criarmos uma nova casta: a dos excluídos digitais”, disse.
No final do ano passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) ratificou no Relatório Anual de Desenvolvimento Humano a importância da inclusão digital, ao colocar as novas tecnologias como facilitadoras de avanços sociais. A organização estabeleceu o Índice de Avanço Tecnológico (IAT) para avaliar a produção e divulgação das novas tecnologias e seu aproveitamento junto à população. O índice leva em conta a criação e capacidade de informação em novas tecnologias, difusão de recentes conquistas e habilidade intelectual. Dos 72 países avaliados, o Brasil ficou em 43º lugar.


